10 de jun. de 2009

Conjuntura da Semana

Conjuntura da Semana. Uma leitura das "Notícias do Dia" do IHU de 03 a 09 de junho de 2009

A análise da conjuntura da semana é uma (re)leitura das 'Notícias do Dia' publicadas, diariamente, no sítio do IHU. A presente análise toma como referência as 'Notícias' publicadas de 03 a 09 de junho de 2009 e a revista IHU On-Line n. 296 – edição 8-06-2009.. A análise é elaborada, em fina sintonia com o IHU, pelos colegas do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores – CEPAT – com sede em Curitiba, PR, parceiro estratégico do Instituto Humanitas Unisinos – IHU.
Sumário:
Governo Lula. Um governo anti-ambiental
MP da grilagem tem apoio do governo
Desmonte ambiental
Uma guerreira ferida
Minc. Contraditório para os ambientalistas, conveniente para o governo
A questão ambiental não é estratégica no governo Lula
Direita e esquerda. A mesma concepção
Esquerda permanece presa à sociedade industrial
Esgotamento de um modelo

Agrotóxicos – alerta geral
Agrotóxicos: remédio ou veneno?
Agrotóxicos e "sociedade do risco"

Conjuntura da Semana em frases
Eis a análise.
Governo Lula. Um governo anti-ambiental
MP da grilagem tem apoio do governo
Na semana dedicada ao meio ambiente, ironicamente, o país assistiu a retrocessos gigantescos na área ambiental. A aprovação da Medida Provisória 458 pelo Senado, com o consentimento do governo, foi o coroamento do que as organizações ambientalistas classificaram como "desmonte ambiental".
A aprovação da MP 458, conhecida como MP da grilagem, revela que o Brasil está perdendo o bonde da história e não percebe, ou não quer perceber, que é um dos poucos países que poderia oferecer uma alternativa à crise ecológica. A medida estabelece a doação de terras até 100 hectares, uma cobrança simbólica para as propriedades até 400 hectares e a venda das que têm até 1.500 hectares para os proprietários que já estavam lá até 2004. O objetivo é regularizar 67,4 milhões de hectares de terras públicas ocupadas ilegalmente na Amazônia, área equivalente à Alemanha e à Itália, juntas.
Segundo a senadora Marina Silva, considerando-se apenas o valor da terra nua, os 67 milhões de hectares que serão privatizados equivalem a R$ 70 bilhões. Em sua opinião, trata-se de uma "privatização de 67 milhões de hectares da Amazônia, o que equivale ao patrimônio de quase quatro Bancos do Brasil".
Desmonte ambiental
Embora a questão ecológica venha se impondo nas últimas décadas e se transformando em uma questão central, paradoxalmente nunca tantos projetos que agridem o meio ambiente estiveram em curso na sociedade brasileira. Destacávamos na análise da semana passada que vários projetos que afetam o ambiente tramitaram ou tramitam no Congresso brasileiro. No pacotão anti-ambiental, além da aprovação da MP 458, tem-se a MP 452 (provisoriamente arquivada) e articulações para a alteração do Código Florestal.
Com a possível reforma ou alteração do Código Florestal brasileiro, os ruralistas querem ampliar para todo o pais o que foi feito em Santa Catarina – a transferência para os estados a competência de criar suas próprias regras sobre quanto deve ser preservado em cada propriedade. A nova lei de Santa Catarina prevê a redução da faixa de preservação ao longo de rios de 30 m – como determina lei federal – para 5 m. Os ruralistas empolgados com a permissiva legislação ambiental lançada em Santa Catarina querem destroçar o federalismo ambiental.
Além do ataque à legislação ambiental, foi aprovada recentemente a licença para a construção da usina hidrelétrica de Jirau no rio Madeira; a autorização para construção de Angra 3; e em breve deverá ser autorizada as obras da BR 319.
Na analise de Maurício Thuswohl os ruralistas iniciaram a maior ofensiva contra leis ambientais jamais vista na história brasileira. "Ao que tudo indica, diz ele, os últimos 18 meses do governo Lula serão marcados por uma forte ofensiva ruralista contra os avanços conquistados pelo Brasil em sua política ambiental".
A senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva afirma que se trata de uma ofensiva articulada para desmontar a legislação ambiental. Segundo ela, o principal objetivo dos ruralistas e do agronegócio "é aprovar o novo Código Ambiental, revogar a lei 6938 – que criou a Política Nacional do Meio Ambiente –, parte da Lei de Crimes Ambientais e da Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, entre outros dispositivos legais. Ou seja, trata-se de quebrar a espinha dorsal da proteção ambiental no Brasil. Só não se fala em revogar o capítulo do Meio Ambiente, que está no artigo 225 da Constituição. Ainda", conclui ela. A senadora destaca que essa ofensiva dos setores ruralistas "nos leva de volta ao Brasil das capitanias hereditárias". "O retrocesso não é só com a Amazônia, é geral", afirma a senadora em outra entrevista.
A ofensiva dos setores conservadores sobre a agenda ambiental é caracterizada como "sobre-representação" pelo sociólogo Bruno Lima Rocha. Segundo ele, "três bancadas exercem a sobre-representação na defesa de seus interesses diretos. São elas, a da bola (com a cartolagem à frente), a dos concessionários de radiodifusão (sendo que um em cada três congressistas são donos ou sócios de rádio e/ou TV) e a ruralista".
O sociólogo comenta que a noite de quarta-feira, dia 3 de junho, em que foi aprovada a MP 458, "o Senado da república deu uma aula de análise política. Não foi uma lição de atitude republicana, tampouco defesa da cidadania e nem do interesse nacional. O que se viu foi a materialização de dois conceitos: o de sobre-representação e o do eufemismo como arma do discurso".
Continua ele, "o primeiro conceito se encontra na 'sinceridade' da senadora Kátia Abreu (DEM-TO) que acumula o mandato pelo novo estado e também é presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). O segundo, o eufemismo, se encontra nas palavras da nobre e ilibada senadora, ao afirmar que uma Medida Provisória de sua autoria, a MP 458, vai 'dar segurança jurídica' para a Amazônia Legal".  Para Bruno Lima Rocha, "com a MP 458 os senadores forçam o país a caminhar através da mesma trilha que levou a aprovação das sementes transgênicas através do fato consumado. Oficializando a grilagem e permitindo o desmatamento, ficamos a mercê da insanidade do agente econômico devastador e inescrupuloso".
A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), novo expoente do agronegócio no Congresso reagiu: "Não estou defendendo grilagem". Líder da bancada ruralista no Senado, ela foi apontada pelos adversários como "raposa tomando conta do galinheiro", ao ser indicada relatora do assunto. "Então, tomei conta do galinheiro do Lula, porque a matéria é dele", disse a senadora em ascensão na política nacional.
Kátia Abreu é a versão moderna de Ronaldo Caiado (DEM-GO). Nos anos 80, Caiado foi identificado com a defesa das velhas oligarquias ao criar a União Democrática Ruralista (UDR) para defender os latifundiários. Agora, Kátia Abreu, representa as mesmas oligarquias, porém como uma diferença substancial, trata-se de oligarquias associadas ao capital transnacional, ao agronegócio.
Uma guerreira ferida
A imagem da senadora Kátia Abreu, vitoriosa no embate da MP 458, contrasta com imagem da senadora Marina Silva, outrora considerada a grande novidade no governo Lula, exatamente porque levou para o poder a defesa do conceito de transversalidade.
Hoje, Marina encontra-se isolada. No debate da MP 458, a senadora do Acre, ressurgiu em seu melhor momento ao afirmar na tribuna: "Eu sei que o amigo e companheiro Presidente Lula tem muitos neocompanheiros, mas aqui vai o pedido de uma velha companheira, de 30 anos de luta. Não estou falando isso para tocar emocionalmente ninguém. Eu só peço a compreensão para algo que, para mim, é visceral. É algo muito significativo! Em memória do Wilson Pinheiro, por quem foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional; em memória de Chico Mendes, por quem chorou embaixo de uma chuva forte na Amazônia, quando ele foi assassinado por combater a grilagem, por combater o uso e o esbulho das terras da Amazônia, nós vamos pedir para que ele vete. Eu farei uma carta pública, se nós não repararmos aqui, para que ele [Lula] vete [a MP 458].
A senadora Marina Silva viveu na semana passada um dos momentos mais tristes da vida dela, quando o plenário do Senado aprovou a Medida Provisória 458. Ferida, a ex-ministra do Meio Ambiente se entocou no Acre, conforme afirmou, para lamber as feridas e reforçar uma campanha para que o presidente Lula vete artigos da MP que permitem a utilização indevida de terras públicas. "Quando se fere uma jaguatirica, ela entra na sua toca para lamber as feridas.  É o que fiz vindo para o Acre no Dia Internacional do Meio Ambiente", afirmou a senadora.
O presidente Lula, entretanto, tende a ignorar os apelos para vetar artigos tidos como nocivos ao meio ambiente da MP 458 e a maior probabilidade é de veto apenas ao artigo que permite a regularização das terras ocupadas por empresas.
Marina chorou no plenário, demonstrou-se uma guerreira, mas perdeu. A sua demissão do ministério do Meio Ambiente já havia sido um claro e inequívoco sinal de que a questão ambiental não é estratégica no governo Lula. Reiteradas vezes destacamos aqui de que a ex-ministra foi derrotada em todas as batalhas que travou enquanto esteve no governo. Não restou alternativa a não ser a sua saída e transformar a tribuna do senado em sua trincheira.
Minc. Contraditório para os ambientalistas, conveniente para o governo
No lugar de Marina Silva, Lula nomeou Carlos Minc que assumiu o Ministério do Meio Ambiente prometendo uma gestão em ritmo de bolero, "dois pra lá, dois prá cá", por meio do qual liberaria mais rapidamente licenças ambientais e empreendimentos como rodovias e hidrelétricas e, em compensação, avançaria na proteção ao ambiente, com a criação de novas unidades de conservação. Diante da ofensiva ruralista nas últimas semanas, Minc saiu atirando em seus colegas ministros, nos ruralistas que chegou a chamar de vigaristas, e desabafou com Lula: "É só pancada".
Em que pese a retórica de Minc contra o agronegócio – gosta de utilizar frases de efeito como "'estão pedindo meu pobre pescocinho" ou "estou firmíssimo, tremei poluidores" – o ministro é tolerado pelas organizações ambientalistas que o veem no mínimo como contraditório.
O ministério de Minc acaba de liberar o licenciamento da polêmica hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Ao mesmo tempo, sinalizou que cederá no licenciamento do asfaltamento da rodovia B 319, que liga Manaus a Porto Velho. A BR-319 foi aberta durante o governo militar e os ambientalistas dizem que a obra vai aumentar o desmatamento na Amazônia. Minc disse que é contra a rodovia, como era contra a usina de Angra 3, mas se dispôs a conceder a licença após o cumprimento de exigências ambientais. A liberação do asfaltamento é uma demanda do ministro Alfredo Nascimento, dos Transportes, que tem pretensões políticas na Amazônia.
Aliás, no caso do licenciamento de Angra 3, Minc, manifestou toda a sua contradição: "Licenciei Angra 3 sem concordar", disse ele. A respeito dessa contradição de Minc, afirma Washington Novaes: "A afirmação autorizaria o leitor a perguntar a ele, que durante toda a carreira política se bateu contra a usina: e por que aceitou, abandonando a coerência, se não concordava com o licenciamento? Em troca do cargo?" Novaes destaca que ficou ainda mais difícil de explicar a liberação de Angra 3, "porque dois dias antes dessa declaração se anunciara um vazamento radiativo em Angra 2, atribuído a um funcionário da limpeza de equipamentos na sala de descontaminação, que esqueceu a porta aberta e houve circulação de material radiativo, com a contaminação de quatro pessoas".
Por outro lado, Minc é conveniente para o governo. O governo sabe que a demissão de Minc seria mais prejudicial do que benéfica. Recentemente os atores Christiane Torloni e Victor Fasano entregaram a Lula um manifesto que teria 1 milhão de assinaturas contra a destruição da Amazônia. Após a audiência com o presidente, os atores deram uma longa entrevista para defender a permanência do ministro. "A democracia não vai aguentar mais um golpe", afirmou Christiane. "Não vai ser bom para o Brasil perder um segundo ministro do Meio Ambiente", disse, referindo-se à demissão de Marina Silva, no ano passado.
Uma substituição de Minc a cinco meses da Conferência de Copenhague – marcada 7 a 18 de dezembro, na capital da Dinamarca – seria um desastre. Não só porque mostraria instabilidade na área ambiental do país que tem a maior floresta equatorial do planeta, mas porque o ministro é ligado aos ambientalistas de países escandinavos e da Alemanha, todos potenciais aliados da preservação da Amazônia – a Noruega, por exemplo, já doou U$ 100 milhões para o Fundo Amazônia e promete chegar a US$ 1 bilhão.
O encontro de Copenhague é considerado o mais importante da história recente, pois tem por objetivo estabelecer o tratado que substituirá o Protocolo de Kyoto, vigente de 2008 a 2012, que trata das questões climáticas e ambientais. Nos debates deverão aflorar os impasses entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento em torno das metas para a redução de emissões de gases do efeito estufa e os recentes estudos científicos sobre o aquecimento global. No governo ninguém domina mais o tema do que Minc.
A questão ambiental não é estratégica no governo Lula
Os acontecimentos da semana apenas corroboram um fato cada vez mais incontestável: A questão ambiental não é estratégica no governo Lula. Ao contrário, por inúmeras vezes Lula já manifestou que o tema é um estorvo e um entrave ao seu projeto de desenvolvimento.
Um breve inventário dos acontecimentos pode levar inclusive a afirmação de que o governo Lula é um governo anti-ambiental. Basta ter presente os fatos: liberação açodada dos transgênicos; entusiasmo com a produção de etanol; postura vacilante em relação a proposta de retalhar a Amazônia Legal; hesitação frente à idéia de expansão da plantação de cana-de-açucar na região do pantanal e amazônica; transposição do S.Francisco; retomada do programa nuclear; ampliação da construção de hidrelétricas com impactos ambientais devastadores; demissão da ministra Marina Silva, entre outros.
Definitivamente o governo Lula não liga para a questão ambiental. Não é estratégica e tampouco importante. Lula não afirma, mas considera que os ambientalistas atrapalham o desenvolvimento do país. Como destaca Paulo Barreto, do Imazon, a falta de liderança do presidente Lula nas discussões sobre o tema leva os envolvidos a se "esfaquear em praça pública". "Qual o papel do líder? Encaminhar esses temas. O presidente não faz isso. Os ministros ficam lá, se estapeando via imprensa. Isso é muito ruim, cria dificuldades de encontrar soluções. Está todo mundo se esfaqueando em praça pública. Falta esse papel de liderança", diz ele.
Lula mais de uma vez já reclamou do que considera um excessivo rigor das exigências da legislação ambiental e vive afirmado que agora chegou a vez do Brasil crescer. Na realidade, Lula gostaria de reeditar a conjuntura do período de Juscelino Kubitschek, e já explicitou verbalmente que bom mesmo eram os tempos de JK em  que não existiam os ambientalistas para incomodar. Segundo o presidente, "Juscelino Kubitschek, se fosse eleito presidente e quisesse fazer Brasília hoje, ia terminar o mandato sem conseguir a licença para fazer a pista para descer o piloto para começar a estudar o Planalto Central".
Direita e esquerda. A mesma concepção
Na realidade, a preocupação com o meio ambiente continua sendo um tema das organizações ambientalistas. Embora a questão ecológica esteja no centro da crise civilizacional e diga respeito ao futuro da humanidade – a de que fazemos parte de uma comunidade humana que tem um destino comum, poucos levam a sério as advertências de que avançamos o sinal e de que se faz necessário um pacto urgente e uma radical moratória de não agressão ao meio ambiente.
No contexto de ataques sistemáticos à agenda ambiental, surpreende ainda a proximidade das posições das forças políticas da direita e da esquerda. Desconsiderando-se o DEM – que sempre foi, desde a época que se chamava PFL, uma trincheira de defesa dos interesses das velhas oligarquias (latifúndio), associadas às modernas oligarquias (agronegócio) – e o PMDB com o seu atávico fisiologismo; os partidos considerados republicanos, o PT e o PSDB, apesar da retórica em defesa do meio ambiente, têm sido lenientes com o desmonte ambiental.
Lula e o PT perderam nos principais Estados agrícolas do país: Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Goiás. Percebendo a força dos ruralistas, o PT passou em muitos casos a fazer alianças. Basta lembrar a aliança com Blairo Maggi no segundo turno em 2006, o maior sojeiro do país e um virulento crítico dos índices de desmatamento verificados em seu Estado. Maggi chegou a afirmar que "não se faz agricultura sem retirar a floresta. Essa é a grande verdade".
Ato contínuo, Lula em seu estilo de conciliador de classes, manteve o ministério da Agricultura em mãos do agronegócio e afastou a ministra Marina Silva que além de travar as licenças ambientais para as grandes obras do PAC, andava às turras com os ruralistas.
O PSDB por sua vez, de olho nas eleições de 2010, já manifestou que quer se transformar no porta-voz dos interesses do agronegócio. "A galinha dos ovos de ouro". Foi assim que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), classificou o agronegócio em evento realizado pelo partido em Foz do Iguaçu (PR) intitulado "Agricultura e Agronegócio no Brasil". Aécio Neves, outro presidenciável não perdeu tempo e também afirmou: "O PSDB tem discurso para o setor".
O pensamento de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) – que deverão disputar a presidência em 2010 – acerca da temática ambiental é semelhante. Um indicativo foi, do lado de Dilma, a recente apresentação do balanço do PAC, quando a ministra da Casa Civil disse que o governo espera que as exigências quanto ao cumprimento das questões ambientais sejam sanadas logo para que saia a licença para a BR-319. Claro que vou continuar a dialogar e a fazer acordo com os ruralistas. Cada vez que o meio ambiente e o agronegócio se entendem, quem ganha é o Brasil", disse ela.
Por parte de Serra, já destacamos anteriormente a qualificação honrosa destinada por ele ao agronegócio: "A galinha dos ovos de ouro" – um sinal evidente de sua disposição em não peitar os interesses da categoria.
Esquerda permanece presa à sociedade industrial
Ainda mais triste é o fato de que o próprio movimento social não se deu conta do sistemático, reiterado e permanente ataque ao maior patrimônio da nação brasileira: a biodiversidade. Os biomas brasileiros – Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal – encontram-se ameaçados. Segundo um estudo realizado pelo Atlas dos Remanescentes Florestais divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a floresta amazônica tem data para acabar: 2050. Por sua vez, 40% do Pantanal já foi embora. Segundo estudo feito por cinco entidades ambientalistas – WWF-Brasil, SOS Mata Atlântica, Conservação Internacional, Avina e Ecoa, embora a planície esteja bem preservada, com 85% de sua vegetação intacta, a região das terras altas já tem 58% das matas comprometidas.
Na semana em que os ruralistas e o agronegócio esquartejavam a legislação ambiental brasileira, o movimento social centrava a sua agenda na luta contra a instalação da CPI da Petrobrás com a realização de vários atos em todo o país. Evidentemente que se trata de uma pauta vinculada ao tema da soberania e do papel estratégico da maior empresa estatal brasileira, porém, por outro lado, revela a dessintonia com outros acontecimentos importantes e a incapacidade de articular os conteúdos.
Temos insistido que o governo Lula, o Partido dos Trabalhadores e parcela significativa do movimento social brasileiro é tributária de um jeito de pensar e agir preso às categorias da sociedade industrial e daí a dificuldade de assimilação em sua agenda de temas que estão para além dessa sociedade.
É dessa forma que se compreende a incongruência, por exemplo, do governo Lula para com o movimento ambientalista. "A cabeça de Lula é a do peão do ABC", afirma Gilberto Carvalho um dos assessores mais próximos de Lula. Isso significa que a "cabeça" de Lula está presa à sociedade industrial e daí a sua dificuldade em incorporar o caráter do movimento ambientalista que prenuncia uma sociedade pós-industrial. "Ele [Lula] acha importante a preservação, mas, entre um cerradinho e a soja, ele é soja. O ambienta é uma questão importante, mas não é decisiva. O que é decisivo é a economia", diz o mesmo Gilberto Carvalho.
Esgotamento de um modelo
Tome-se como exemplo o modelo consubstanciado no PAC. O mesmo coloca-se de costas para a problemática ambiental e reafirma a lógica produtivista da sociedade industrial. Exatamente no momento em que se fala em descarbonizar a economia, o país reafirma um modelo tributário ainda da Revolução Industrial.
Sobre essa potencialidade comenta José Eli da Veiga,  "o sucesso de qualquer estratégia de desenvolvimento em países emergentes será cada vez mais dependente do aproveitamento das vantagens competitivas induzidas pelo imperativo de descarbonização das economias. Perderão esse bonde os países que descuidarem da capacidade científico-teconológica voltada ao abatimento de emissões de gases estufa. Por isso, é imprescindível que o Brasil ao menos já conheça a distribuição espacial e setorial de seu potencial de abatimento. O que, infelizmente, está muito longe de acontecer".
O Brasil, entretanto, continua insistindo num modelo econômico industrializante. A pergunta é: essa a melhor saída tendo presente à crise climática, os prognósticos futuros?  Transformar o Brasil num imenso canteiro de obras para destravar o crescimento econômico – por paradoxal que possa ser – não poderá isso sim travar o país mais à frente? Relembramos aqui do sugestivo princípio da ecologia da ação proposto por Morin: "ações podem ser praticadas para se realizar um fim específico, mas podem provocar efeitos contrários aos fins que pretendíamos".
Majoritariamente a esquerda ainda não percebeu o equívoco em desconectar o tema da econômica ao da ecologia e insiste no conceito de "desenvolvimento sustentável". Na realidade, o desenvolvimento é inexoravelmente insustentável. A formulação de um projeto, de um outro modelo de sociedade por parte da esquerda, deve levar em consideração a superação do paradigma produtivo da sociedade industrial que já se evidenciou poluidor e destruidor do planeta.
A esquerda ainda não se deu conta de que embora a sociedade industrial ainda seja preponderante, a essência da forma de organizar a sua produção é empurrada cada vez mais para a periferia do núcleo propulsor do novo capitalismo – a economia do imaterial, a new economy. A realidade é que as categorias que organizam a representação do paradigma da sociedade industrial já não dão conta de interpretar o novo.
Hoje precisamos de uma nova Einleitung porque a essência do capitalismo está radicalmente modificada. O conceito de einleitung é uma referência ao texto de introdução dos Grundrisse (1857) em que Marx expõe o seu método de trabalho, no qual descreve que a teoria social deve ser modelada segundo os contornos da realidade social abordada.
Faz-se necessário, portanto, ter em conta, num projeto radicalmente novo, o caráter das mudanças estruturais por que passa o capitalismo. A nova economia potencializada a gestação de um novo tipo de organização produtiva menos poluidora e com potencial descarbonizador enorme. Essa nova economia potencializa novas matrizes energéticas que podem oportunizar inclusive a criação de outro tipo de empregos. Em termos energéticos, a humanidade estará passando da era do petróleo – altamente concentrada e concentradora, além de refém de seu gigantismo – para uma era em que a produção de energia se dará em escala descentralizada e com impactos menores sobre o ambiente.
Já destacamos aqui que Jeremy Rifkin nos dá uma idéia do que está por vir: "Estamos no início da terceira revolução industrial: no período dos próximos trinta anos, tudo mudará, como mudou quando o vapor foi substituído pela eletricidade. Desta vez, quem vencerá será a intergrid, a Internet da energia: uma rede elétrica interativa e descentralizada, que transformará milhões de consumidores em pequenos produtores de energia criando um sistema mais confiável, mais seguro e mais democrático. Os edifícios serão envoltos em fotovoltaicos e, em vez de sugar a energia, produzirão. Os motores dos automóveis poderão, por sua vez, transformar-se em minicentrais, os tetos dos pavilhões beberão a energia solar com seus painéis e a restituirão. Uma parte da eletricidade será consumida diretamente no local de produção, reduzindo a dispersão. É uma revolução radical que mudará toda a arquitetura do nosso sistema produtivo. E quem compreender isso primeiro guiará o novo salto industrial".
A novidade crucial desse momento histórico é que nos confrontamos com diversas crises – financeira, econômica, energética, alimentar e climática – que necessitam ser enfrentadas simultaneamente. Hoje, já não podemos mais pensar em resolver primeiro a crise econômico para depois nos ocupar do aquecimento global. A questão fulcral diz respeito ao esgotamento do modelo de desenvolvimento criado e incrementado na sociedade industrial baseado em uma visão linear, progressiva, infinita e redutora de desenvolvimento, e que tem no consumo desenfreado a sua mola propulsora. Há uma crença no crescimento econômico e sua linearidade. A crise ambiental e a mudança climática estão aí para indicar o fracasso dessa perspectiva.
O novo desenvolvimento econômico já não pode ser feito contra a natureza. Pois, como diz o ecologista norte-americano Barry Commoner faz-se necessário "mudar o motor do desenvolvimento, fazendo-o funcionar em sintonia com o meio ambiente". E acrescenta: "Sem recuperar o meio ambiente, não se salva a economia; sem recuperar a economia, não se salva o meio ambiente".
Ou ainda como ressalta Rubens Ricupero: "É irracional sustentar a idéia de que pode haver desenvolvimento contra o meio ambiente". O ambientalista Lester Brown nos lembra que "uma sociedade sustentável é aquela que satisfaz suas necessidades sem diminuir as perspectivas futuras". Considerando-se as opções que o país vem tomando nos últimos anos, e particularmente nos últimos dias, gerações futuras não apenas lamentarão essas decisões, como poderão ser vítimas das mesmas.
"A lógica do crescimento econômico a qualquer custo vem solapando o compromisso de construir um modelo de desenvolvimento socialmente justo, ambientalmente adequado e economicamente sustentável". A afirmação é de um conjunto de organizações ambientalistas em nota pública contra o que consideram um retrocesso ambiental. "Queremos andar para frente, e não para trás", afirmam as entidades lamentando as decisões do país nos últimos dias. 
Agrotóxicos – alerta geral
Mutliplicam-se, apesar das resistências das gigantes multinacionais, os estudos que relacionam os agrotóxicos ao surgimento de deformações neuroniais, intestinais e cardíacas em embriões humanos, ao aumento do risco de desenvolvimento do Mal de Parkinson, além de trazer sérias consequências para a saúde de populações que vivem em áreas regularmente borrifadas com inseticidas.
O glifosato, princípio ativo do Roundup, é um dos agrotóxicos mais utilizados e que está na mira de agentes da saúde e de ambientalistas. Ele tem a propriedade de permanecer extensos períodos no ambiente e viajar longas distâncias arrastado pelo vento e a água. Mas, como adverte a Rede de Ação em Praguicidas e suas Alternativas para a América Latina (Rapal) – fórum de organizações a nível regional –, o problema é muito mais amplo, vinculado com as quase 500 formulações de praguicidas que são utilizadas na agricultura. "Inseticidas como o perigoso Endosulfan, o Carbofuran, o brometo de metilo. Herbicidas como o 2, 4D e Paraquat. Todos agrotóxicos que possuem uma toxicidade específica e uma classificação toxicológica mais alta que o glifosato. Todos são extremamente tóxicos com capacidade de produzir danos à saúde tanto de nível agudo (curto prazo) como crônico (doenças que aparecem após anos do contato com o praguicida)", explica o responsável da Rapal na Argentina e engenheiro agrônomo, Javier Souza Casadinho.
O aumento exponencial dos agrotóxicos está estreitamente relacionado a um determinado tipo de agricultura que se alastrou nas últimas décadas mundo afora: a agricultura de grandes extensões com acento em plantios transgênicos. E só assim que se pode compreender a irônica relação umbilical entre agricultura e agrotóxico. Ou seja, sem agrotóxico "não poderíamos praticar agricultura na Argentina", como diz Guillermo Cal, diretor-executivo da Casafe, associação de fabricantes de fertilizantes do país, reagindo à iniciativa de um grupo de advogados ambientalistas argentinos que quer que o governo do país proíba a venda e o uso do glifosato na agricultura.
Estudos apontam para um crescimento geométrico de praguicidas no país vizinho. Segundo a organização, em 1996 foram utilizados no país 30 milhões de litros de agrotóxicos. Em 2007, foram aplicados 270 milhões de litros. As razões: a expansão da fronteira agropecuária (às custas do desmatamento ou substituições de outras atividades) e o aparecimento de insetos e plantas daninhas cada vez mais resistentes. O que aconteceu com o glifosato é um caso exemplar. "No final dos anos 1990, realizava-se uma única aplicação de três litros por hectare; hoje são necessárias mais de três aplicações, com mais de doze litros por hectare e por ano", denuncia Souza Casadinho, que também é professor da Faculdade de Agronomia da UBA. O glifosato é o herbicida mais usado na Argentina e os produtores gastam com ele cerca de US$ 450 milhões por ano e usam 150 milhões de litros anualmente nas suas lavouras.
Entretanto, essas cifras argentinas estão longe das observáveis no Brasil. De acordo com a agrônoma Maria José Guazzelli, "o Brasil, em 2008, tornou-se o maior consumidor mundial de venenos agrícolas (733,9 milhões de toneladas), ultrapassando os Estados Unidos (646 milhões de toneladas). Em 2007, as vendas no Brasil significaram 5,372 bilhões de dólares e em 2008, 7,125 bilhões. A cultura que mais consome agrotóxico é a soja. No total, os herbicidas representam cerca de 45% das vendas, os inseticidas 29%, e os fungicidas 21%".
Esse dado traz à tona outro elemento dessa "indústria": as grandes produtoras dos agrotóxicos e seus gigantescos interesses. Como se vê no caso dos transgênicos (soja e milho) no Brasil, elas investem pesadamente, com lobbies, recursos financeiros e financiamento de estudos, na defesa de seus lucrativos interesses, em detrimento, como se pode ver, da saúde pública, da qualidade de vida e do meio ambiente.
Agrotóxicos: remédio ou veneno?
A revista IHU On-Line desta semana traz como tema de capa a discussão sobre os agrotóxicos na perspectiva da saúde pública. As entrevistas com Jandira Maciel da Silva, Neice Muller Xavier Faria, Tarcísio Pinheiro e Sebastião Pinheiro debatem o uso de agrotóxicos como remédio e os impactos da exposição aos agentes químicos. Um debate muito interessante.
A entrevista com a médica sanitarista Jandira Maciel da Silva, doutora em Saúde Coletiva, lembra que o uso de agrotóxicos no Brasil não se restringe apenas à agricultura. As substâncias tóxicas estão presentes também no serviço de Saúde Pública brasileiro, que utiliza químicos em larga escala para combater vetores transmissores de algumas doenças endêmicas e epidêmicas. Ela explica que essas substâncias foram utilizadas para combater doenças como chagas e malária, e ainda fazem parte do controle da dengue.
"Quando recebemos um agente sanitário na nossa residência para colocar um 'remedinho' no ralo do banheiro, nos vasos de plantas, na verdade ele está aplicando um agrotóxico que, quando é utilizado pela Saúde Pública, acaba assumindo outro nome: pesticida, defensivo agrícola ou domissanitários", revela Jandira. E dispara: "Mas, quando vamos observar, eles fazem parte de uma mesma família de produtos químicos e, portanto, sujeitos a causar danos à saúde das populações e ao meio ambiente."
No entanto, Jandira reconhece que o uso principal de agrotóxicos se dá na agricultura, tanto a chamada familiar como a de largas extensões. "A questão dos agrotóxicos inicialmente nos remete à agricultura porque, sem dúvida alguma, é o setor que mais utiliza esses produtos. Aliás, é importante destacar, nesse momento, que a agricultura brasileira é absolutamente dependente desses produtos. Então, temos aí um processo de produção dependente da quimificação. Aliado a isso, é importante registrar que uma parte substancial dos produtos brasileiros advém da agricultura familiar, onde temos a produção de boa parte das leguminosas, horticultura, e isso faz com que também existam mais populações expostas a esses produtos. Por outro lado, a chamada agricultura de extensão, produzida em grandes quantidades de terras, também utiliza esses produtos em larga escala, ocasionando uma série de comprometimentos ambientais".
Também o sanitarista Tarcísio Pinheiro destaca a sua preocupação com o alto índice de uso de agrotóxicos na agricultura brasileira e a consequente exposição a esses produtos. Aproximadamente, 20% da população vive no meio rural. De acordo com o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), "se formos fazer um exercício de projeção imaginando dados que relatam a presença de agrotóxicos nas propriedades rurais, percebemos que esse número chega a 95%, e que, dentre os trabalhadores rurais, 75% usam o agrotóxico, teremos uma população exposta com um nível de grandeza muito grande, ou seja, cerca de 20 milhões de pessoas infectadas".
"Hoje, existem mais de 400 princípios ativos de agrotóxicos utilizados isoladamente e combinados com outras substâncias, o que potencializa o efeito", assinala Tarcísio Pinheiro. Essas substâncias químicas, explica o pesquisador, são responsáveis por doenças crônicas e agudas, que nem sempre são diagnosticadas com precisão, o que retarda o atendimento e o combate aos agrotóxicos. "Com relação às doenças crônicas, temos um grande problema, pois é difícil caracterizá-las. É mais fácil identificar os efeitos agudos, uma vez que os trabalhadores conseguem informar de forma mais precisa os sintomas", aponta.
A caracterização dos efeitos é um problema relatado também pelo agrônomo Sebastião Pinheiro, quando analisa a relação entre o uso de agrotóxicos e o suicídio entre os fumicultores da região de Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul. "Suicídio não tem uma origem única, cartesiana, direta; ele pode ter uma série múltipla de fatores. Assim, um grupo de médicos não tem condições de analisar alterações no campo eletromagnético de pessoas expostas a praguicidas ou agrotóxicos. No momento em que eles não têm capacidade de avaliar isso, o resultado do trabalho não condiz com a realidade. Hoje, sabemos que a maioria dos agrotóxicos altera o campo eletromagnético das pessoas, levando a uma série de fatores, entre eles a pré-disposição ao suicídio", explica.
Sebastião Pinheiro chama a atenção ainda para o aspecto econômico subliminar a essa questão. "O negócio mais rentável, atualmente, é transformar petróleo em medicamento ou veneno. Não é possível, através de remédios, fazer com que toda uma população fique doente, mas é fácil criar uma agricultura deficiente. Assim, o negócio financeiro do veneno é muito mais importante e rentável do que o do remédio. Todos os países precisam ter um estoque de armas químicas, e ele é obtido mais barato conforme mais veneno se usa. Essa é uma questão econômica. Por isso, todos os países procuram ter um complexo industrial para fabricação de armas químicas".
E alerta também para o fato de que a indústria de agrotóxicos não conhece crise; pelo contrário. "O problema do uso de venenos, hoje, é mil vezes pior do que em 1980, quando não existia lei. Isso porque vivemos uma ditadura econômica, e antes havia uma ditadura militar. Naquela época, os generais eram gerentes das fábricas de agrotóxicos e ganhavam propina sobre as vendas. Atualmente, a comercialização está aumentando de 12% a 15% ao ano. Qual é a função desse crescimento? É por necessidade ou por que é um negócio sem controle?"
Para a médica Neice Muller Xavier Faria, que investiga a ação dos inseticistas em organismos vivos, "o principal mecanismo de ação dos inseticidas é sobre o sistema nervoso dos insetos e o problema é que este efeito não se restringe à espécie-alvo e pode afetar também os mamíferos". Na entrevista, a pesquisadora relata como os agrotóxicos podem atingir o Sistema Nervoso Central dos seres humanos. Quando contaminados por organofosforados - substâncias químicas que contêm carbono e fósforo, utilizados como inseticidas - e carbamatos - princípios ativos de alguns inseticidas comerciais -, as pessoas podem desenvolver neuropatias, ou seja, afecções que acometem os nervos periféricos que se estendem da medula ou do tronco encefálico até as extremidades. Além disso, destaca, essas substâncias também "podem afetar canais de cálcio ou bloquear o ácido gama-amino-butírico (gaba) como pode ocorrer com o fipronil e avermectinas".  Entre os sintomas mais comuns, a médica destaca ainda casos de "intoxicação aguda onde podem ocorrer, entre outros efeitos, fasciculações, tremores, convulsões, tonteiras, cefaléias e, nos casos graves, perda de consciência/coma".
Agrotóxicos e "sociedade do risco"
A entrevista com Maria José Guazzelli, que abre a Revista, estabelece a relação entre os agrotóxicos e a nanotecnologia, nova fronteira tecnológica com possibilidades que podem variar entre o fantástico e o dramático. A nanotecnologia oferece novas oportunidades para indústrias ligadas à cadeia de produção agrícola, mas pode gerar enormes riscos para a saúde e o meio ambiente. "Como são regidas pelas leis da física quântica, as nanopartículas apresentam comportamentos distintos dos habituais para materiais em escala macroscópica. Testes de laboratório mostraram, por exemplo, que nanopartículas de óxidos de metais podem penetrar nas células e danificar o DNA. Devido ao tamanho diminuto, partículas podem não ser retidas pela barreira do cérebro ou pela da placenta", adverte a fundadora do Centro Ecológico do município de Ipê, Rio Grande do Sul.
Por esta tecnologia, genes de plantas geneticamente modificadas podem ser transferidos para bactérias intestinais humanas. No caso dos cultivos Bt, ressalta Guazzelli, "nos quais toda a planta é transformada num agrotóxico pela transgenia, se os genes Bt forem transferidos, eles poderiam fazer nossas bactérias intestinais tornarem-se fábricas vivas de agrotóxicos". Com isso, destaca, aumenta a probabilidade de os transgênicos serem responsáveis por doenças.
Para Maria José, a expansão da fronteira agrícola brasileira "é uma das causas do aumento do consumo de agrotóxicos juntamente com os cultivos de transgênicos" no país. E acrescenta: "Não por coincidência, algumas das maiores empresas globais de sementes do mundo, que controlam grande parte do mercado mundial de sementes proprietárias estão também entre as maiores empresas de agrotóxicos do mundo, como a Monsanto, a Dupont, a Bayer e a Syngenta".
Toda essa discussão em torno dos agrotóxicos e seus impactos ambientais e sobre a saúde humana perceptíveis, mas nem sempre fáceis de serem comprovados, remete à "sociedade do risco", termo cunhado pelo sociólogo alemão Ulrich Beck. Por sociedade do risco ele entende "uma constelação na qual a ideia que guia a modernidade, isto é, a ideia da controlabilidade dos efeitos colaterais e dos perigos produzidos pelas decisões tornou-se problemática, uma constelação na qual o novo saber serve para transformar os riscos imprevisíveis em riscos calculáveis, mas deste modo produz, por sua vez, novas imprevisibilidades, o que constringe a reflexão sobre os riscos. Através desta 'reflexividade da incerteza', a indeterminabilidade do risco no presente se torna, pela primeira vez, fundamental para toda a sociedade".
Por isso, insiste, Beck, "'Sociedade de risco' significa que vivemos em um mundo fora de controle. Não há nada certo além da incerteza (...) Essas 'verdadeiras' incertezas, reforçadas por rápidas inovações tecnológicas e respostas sociais aceleradas, estão criando uma nova paisagem de risco global. Em todas essas novas tecnologias incertas de risco, estamos separados da possibilidade e dos resultados por um oceano de ignorância (not knowing)".
Na percepção de Ulrich Beck, "risco é um conceito moderno. Pressupõe decisões que tentam fazer das consequências imprevisíveis das decisões civilizacionais decisões previsíveis e controláveis". É o que estamos assistindo.
Conjuntura da semana em frases
Galinheiro do Lula
"Então tomei conta do galinheiro do Lula, porque a matéria é dele. Acho graça disso. Quando tem matéria de ambiente aqui, só a Marina (Silva, ex-ministra) pode relatar, ruralista não pode. Ninguém questiona. Quando a matéria é da minha área, não vejo problema. É a matéria que eu entendo" – Kátia Abreu, presidente da CNA e senadora – DEM –TO, comentando a comparação dela, líder ruralista, ser "uma raposa tomando conta do galinheiro" – O Estado de S. Paulo, 08-06-2009.
Grilagem
"A possibilidade de veto de Lula a artigos da MP 458, editada para regularizar terras griladas na Amazônia, estabeleceu uma divisão curiosa que vem se repetindo no Senado: de um lado, PT e PSDB (a favor dos vetos); de outro, DEM e PMDB" – Renata Lo Prete, jornalista – Folha de S. Paulo, 08-06-2009.
Não liga
"Lula no fundo não liga para a área ambiental" – Paulo Barreto, do Imazon, Folha de S.Paulo, 05-06-2009.
Golpe
"A democracia não vai aguentar mais um golpe. Não vai ser bom para o Brasil perder um segundo ministro do Meio Ambiente" - Christiane Torloni, atriz, referindo-se à demissão de Marina Silva, no ano passado e a ameaça de demissão de Carlos Minc, O Estado de S.Paulo, 05-06-2009.
Acordo
"Fiz acordo com os (ruralistas) da soja, da cana e com o governador Blairo Maggi. Por que não posso fazer com a senadora Kátia Abreu, muito mais bonita, muito mais simpática e articulada?" -  Carlos Minc, Ministro do Meio Ambiente, O Estado de S.Paulo, 05-06-2009.
Bolsa-Latifúndio
"Quanto a pedir minha destituição, um pequeno problema, porque o presidente do Brasil é o presidente Lula. Se fosse a Kátia Abreu (senadora - DEM), a gente não teria o Bolsa-Família, mas a Bolsa-Latifúndio" – Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente – O Estado de S. Paulo, 03-06-2009.
Anjos da natureza
"É hora de quebrar o monopólio usurpado por um grupo de falsos anjos da natureza que pretende decidir o que pode e não pode em matéria de meio ambiente, recusando verdades científicas e laudos insuspeitos da Embrapa, referência essencial do desenvolvimento sustentado da agropecuária brasileira" – Kátia Abreu, senadora – DEM-TO – O Estado de S. Paulo, 03-06-2009.
Posseiro não pode, mas...
"Os grandes responsáveis pela grilagem colocam terceiros na linha de frente. É uma discrepância absurda. O assentado ou posseiro de boa fé não pode vender. Mas o proprietário de área maior pode?" - Claudio Maretti, superintendente de conservação da WWF-Brasil – O Globo, 06-06-2009.
Gregos e troianos
"Por caminhos tortos, Minc está se isolando como sua antecessora Marina Silva. Mas, no seu caso, ele não agrada nem a gregos nem a troianos" – Ilimar Franco, jornalista – O Globo, 07-06-2009.
Servidão moderna
"Os fumicultores vivem numa servidão moderna, com contratos abusivos, sujeitos a um esquema de venda casada e comercialização que promove endividamento das famílias, intoxicações por agrotóxicos, contaminação dos mananciais, desmatamento, doenças associadas à absorção transdérmica de nicotina e trabalho infantil" – Guilherme Eidt Gonçalves de Almeida, coordenador de advocacy da Aliança de Controle do Tabagismo – Folha de S. Paulo, 09-06-2009.
Yeda e Lula
"As desculpas vindas de Yeda ou de Lula para colocar dinheiro público nas indústrias do tabaco é que estão longe de ser racionais" – Guilherme Eidt Gonçalves de Almeida, coordenador de advocacy da Aliança de Controle do Tabagismo – Folha de S. Paulo, 09-06-2009.
Pré-sal
"É preciso um marco regulatório. O pré-sal é riqueza para antecipar o combate à pobreza" – Dilma Rousseff, ministra Chefe da Casa Civil – O Estado de S. Paulo, 07-06-2009.
Pré-escola
" 'Adotar' todas as crianças em idade pré-escolar — com tudo o que for preciso para iniciar o desenvolvimento intelectual das futuras gerações — custará, no máximo, R$ 15,5 bilhões por ano, o equivalente 1% do que será gasto com o PAC, o pré-sal, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, caso o Rio de Janeiro seja a cidade escolhida" – Cristovam Buarque, senador – PDT-DF – O Globo, 06-06-2009.
Mulher
"Em geral, empresário não põe dinheiro em campanha de mulher porque acha que elas não se elegem" – Dilma Rousseff, ministra Chefe da Casa Civil – Folha de S. Paulo, 08-06-2009.
Niemeyer
"Salvo de desastre aéreo só mesmo Oscar Niemeyer, que não voa nem amarrado. Vai ver que é por isso que ele tem 102 anos" – Zuenir Ventura, jornalista – O Globo, 06-06-2009.
Fidel, cuidado!
"Obama nacionalizou nada mais nada menos que a General Motors. Camarada Obama! Fidel, cuidado! Ou vamos acabar à direita dele" – Hugo Chávez, presidente da Venezuela – Veja, 10-06-2009.
Berlusconi e as Farc
"Tenho mais medo de Berlusconi (primeiro-ministro italiano) do que da guerrilha colombiana" – Antonello Zappadu, fotógrafo italiano, autor das fotos tiradas nas festas na mansão do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, em que alguns convidados dele aparecem em top less e completamente nus – El País, 07-06-2009.
A coisa Berlusconi

"Não vejo outro nome que poderia dar. Uma coisa perigosamente parecida a um ser humano, uma coisa que dá festas, organiza orgias e manda num país chamado Itália. Esta coisa, esta enfermidade, este vírus ameaça ser a causa da morte moral do país de Verdi se um vômito profundo não conseguir arrancá-lo da consciência dos italianos antes que o veneno acabe corroendo-lhes as veia e destroçando o coração de uma das mais ricas culturas européias" – José Saramago, prêmio Nobel de Literatura – El País, 07-06-2009.

 

Fonte: www.unisinos.br/ihu, 10/05/2009

 
CÁRITAS DIOCESANA
     CAXIAS DO SUL
 


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8 de jun. de 2009

Feira de Economia Solidária

Viagem a Santa Maria para participar da

5ª Feira de Economia Solidária do MERCOSUL

http://www.esperancacooesperanca.org.br/index.php?acao=feiccop

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Saída de Caxias do Sul a Santa Maria (ônibus):

dia 11 de julho, sábado, às 5h30m,

de Caxias do Sul (em frente à Catedral)

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Retorno de Santa Maria a Caxias:

dia 11 de julho, sábado, às 18h,

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Custo da passagem: R$ 50,00

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Inscrições: caritascaxias@yahoo.com.br e acredisol@gmail.com, informando nome completo e número do documento (RG ou CPF).

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Cáritas - Caxias do Sul
www.caritascaxias.blogspot.com

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ACREDISOL / RS

www.acredisol.blogspot.com

3 de jun. de 2009

Conjuntura da Semana

Conjuntura da Semana. Uma leitura das ''Notícias do Dia'' do IHU de 27 de maio a 02 de junho de 2009



A análise da conjuntura da semana é uma (re)leitura das 'Notícias do Dia' publicadas, diariamente, no sítio do IHU. A presente análise toma como referência as 'Notícias' publicadas de 27 de maio a 02 de junho de 2009 e a revista IHU On-Line n. 295 – edição 01-06-2009. A análise é elaborada, em fina sintonia com o IHU, pelos colegas do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores – CEPAT – com sede em Curitiba, PR, parceiro estratégico do Instituto Humanitas Unisinos – IHU.
Sumário:
Ecoeconomia: uma resposta à crise ambiental?
Decrescimento ou barbárie!
Crise ecológica
O Brasil está perdendo o bonde da história
O pacote anti-ambiental. A ofensiva dos grupos econômicos
País repete erros em nome do desenvolvimento
Conjuntura da semana em frases

Eis a análise.
Ecoeconomia: uma resposta à crise ambiental?
A conjuntura desta semana retoma, como ponto de partida, aquela feita há duas semanas e na qual tratamos a temática da economia e da sustentabilidade. Referenciados no artigo do economista e professor da USP José Eli da Veiga, apontávamos para os limites do atual modo de organização, produção e consumo e para a urgência de desenvolver uma economia que seja capaz de "reconhecer os sérios limites naturais à expansão das atividades econômicas e rompa com a lógica social do consumismo", como destacava Eli da Veiga.
A sequência desta análise toma como material para a reflexão aquele sugerido pela revista IHU On-line desta semana e cujo tema de capa é a urgência de uma ecoeconomia. A revista traz as contribuições de Paulo Durval Branco, Serge Latouche, Ladislau Dowbor, Henrique Cortez, entre outros.
As entrevistas da Revista tem o mérito de prosseguir com a discussão sobre os limites do atual modelo de desenvolvimento econômico e a urgência de desenvolver uma economia assentada em outras bases. Um consenso vai se firmando, resumido por Henrique Cortez nos seguintes termos: "Vivemos em um planeta finito e com recursos naturais igualmente finitos. No entanto, o nosso modelo econômico é baseado em produção e consumo infinitos. É evidente que este modelo não funciona por muito tempo."
Ao mesmo tempo, a principal limitação do cenário atual consiste nisso: no "fato de estarmos regidos pela lógica dominante da possibilidade de crescimento infinito. Toda a nossa economia, todo nosso modelo mental e, consequentemente, todas as nossas criações no plano social e econômico se baseiam em uma possibilidade que não existe, que é a de o crescimento reger todo o nosso caminhar", como afirma Paulo Durval Branco.
O conjunto das entrevistas aponta para um elemento não destacado na conjuntura anteriormente citada. Para muitos, mais do que centrar a conversa sobre os modelos macroeconômicos – uma reflexão tida como etérea – trata-se de redirecionar os torpedos para a problemática da distribuição do consumo. Parte-se do pressuposto de que vivemos numa sociedade da abundância, em que não faltam os recursos necessários para a sobrevivência digna de todos os 7,6 bilhões de habitantes que habitam no Planeta.
De fato, não se pode escamotear o grave problema da concentração de renda, riqueza e consumo, agravado pela globalização neoliberal, assinalado também já em conjunturas anteriores do ano passado. Serge Latouche afirma categoricamente para a impossibilidade de "a torta, isto é, o produto interno bruto, continuar a crescer". Em tal contexto, "a única possibilidade para escapar ao pauperismo, tanto no Norte como no Sul, é a retomada dos elementos fundamentais do socialismo, mas sem esquecer, desta vez, a natureza: repartir o bolo de maneira equitativa". Ou seja, o simples crescimento econômico não é capaz de eliminar a fome e a pobreza em lugar nenhum. Por isso, faz-se necessário continuar a apostar em práticas e políticas capazes de realizar uma redistribuição mais equitativa e justa das riquezas socialmente produzidas. Com justiça, a problemática da distribuição posta-se como um problema ético dos mais graves.
Entretanto, é preciso estar atento a outro aspecto dessa discussão. A distribuição mais eqüitativa – um sonho e um desejo de todos os que estão empenhados em um mundo diferente –, por si só, não elimina o problema de fundo. Nos últimos anos, de maneira sempre mais clara, impôs-se a realidade da insuficiência planetária para dar conta do consumo atualmente existente. A chamada "pegada ecológica", que mede o "peso" ambiental de nosso modo de vida, está acima da capacidade regenerativa da bioesfera.
Como aponta Ladislau Dowbor, isso se dá porque a natureza e os seres humanos trabalham com lógicas diferentes e irreconciliáveis. Enquanto a natureza funciona em sistema circular, o sistema econômico vigente é linear. "Pegamos recursos naturais, transformando-os em uma indústria, consumimos, e jogamos no lixo sob a forma de plástico. Com isso, estamos acabando com o petróleo no planeta. E não estamos recolocando de volta as bases energéticas utilizadas. O petróleo se acumulou durante centenas de milhões de anos, e nós teremos acabado com ele em 200 anos. A conta que fazemos deste processo é o PIB, o Produto Interno Bruto", explica Dowbor.
Decrescimento ou barbárie!
Com outras palavras, mesmo distribuído, o consumo é demasiado alto para um único Planeta dar conta. Com isso estamos querendo chamar a atenção para o fato de que há um imperativo de mexer realmente na lógica econômica vigente. Sem isso não há saída. É nesse sentido que, novamente, apontam vários dos entrevistados pela Revista. Latouche prossegue propondo o que ele chama de "decrescimento", o que não é "crescimento negativo". O termo esconde uma realidade muito mais complexa do que o termo possa, à primeira vista, oferecer.
"O projeto de uma sociedade de decrescimento é radicalmente diferente do crescimento negativo, aquele que agora já conhecemos", insiste Latouche. E prossegue: "O decrescimento só é viável numa 'sociedade de decrescimento', isto é, no quadro de um sistema que se situa sobre outra lógica. A alternativa é, por conseguinte, esta: decrescimento ou barbárie!". A sociedade de decrescimento não se confunde com o capitalismo reformado ou esverdeado. "Uma economia capitalista ainda poderia funcionar com uma grande escassez dos recursos naturais, um desregramento climático, o desmoronamento da biodiversidade etc. É a parte de verdade dos defensores do desenvolvimento sustentável, do crescimento verde e do capitalismo do imaterial. As empresas (pelo menos algumas) podem continuar a crescer, a ver sua cifra de negócios aumentar, bem como seus lucros, enquanto as fomes, as pandemias, as guerras exterminariam nove décimos da humanidade. Os recursos, sempre mais raros, aumentariam mais que proporcionalmente de valor", cutuca Latouche.
Segundo Dowbor, "temos uma economia que é destrutiva em termos ambientais e é injusta em termos sociais". Na mesma direção vai Henrique Cortez: "Na realidade, precisamos construir uma nova sociedade, com um novo modelo econômico. Voltando ao tema central, não teremos um futuro minimamente aceitável sem uma profunda revisão dos conceitos, fundamentos e modelo da economia. E não faremos esta revisão sem uma clara compreensão de nossa responsabilidade em termos de cidadania planetária". E finaliza dizendo que está em questão "o que realmente deve ser entendido como desenvolvimento, como deve ser medido e incentivado".
Segundo Paulo Durval Branco, a economia ecológica se apresenta como alternativa "porque ela parte de premissas corretas. Uma delas é a impossibilidade do crescimento como um retorno exclusivo do processo econômico. Então, a ecoeconomia supõe o sistema econômico como parte de um sistema maior, que é a biosfera".
Assim, uma possível leitura desse rico material consiste em perceber que a questão de fundo é a busca de um modo alternativo de economia, capaz de integrar os limites da natureza e a lógica social do consumismo. E isso porque até o chamado "consumo ético" deve ser problematizado, com sugere Henrique Cortez.
De forma enfática e até inusitada, Cortez afirma que "o que hoje se convenciona chamar de consumo ético deve ser encarado como conservador em relação à manutenção do modelo consumista. Assim posso consumir irrestritamente, porque me justifico através do consumo ético. É uma forma de 'indulgência' ao 'pecado' do consumo. O consumo ético só será transformador se ele questionar o modelo consumista, assumindo sua dimensão coletiva e política em relação ao modelo econômico, às formas de produção e ao sistema político de sustentação. É necessário questionar a quem serve este modelo e a quem beneficia".
Cortez chama a atenção para uma nova compreensão do ato de consumo, de modo geral sempre mais relacionado à liberdade pessoal e menos referenciado econômica e politicamente. "Comumente, associamos o consumo ético a um ato individual de consciência, uma opção pessoal, mas ele também deve ser considerado em suas dimensões econômicas e políticas". Em outro momento da entrevista, Cortez reforça essa ideia: "O consumo é um ato político e econômico e, neste sentido, deve ser ético, responsável e sustentável. O consumo só é ético se for sustentável e isto só ocorrerá com uma gigantesca redução do consumo global".
Paralelamente à emergência da problemática ambiental, foi se cristalizando também a ideia da reciclagem, como forma de remediar os impactos ambientais. Produz-se, consome-se, mas se recicla. Dessa maneira, não se questiona ou mesmo se interrompe a lógica subjacente, que é o que Cortez tenta fazer. Por isso, Latouche dirá que o "melhor lixo é aquele não produzido".
Pelo acento posto no consumidor, joga-se toda a responsabilidade pelo consumo sobre este e não se questiona o resto. Atribui-se, ideologicamente ou não, a responsabilidade ao consumo e não à produção e à lógica produtiva subjacente.
Para iluminar este aspecto vale recuperar uma reflexão feita por Robert Tomás, professor de Economia Aplicada da Universidade Autônoma de Barcelona e reproduzida no Boletim CEPAT Informa n. 101, de setembro de 2003, p. 5-7. Em artigo intitulado 'A cultura do desperdício', o professor adianta que o problema do desperdício em se apresenta sob as vertentes econômica e ecológica. Mas o mais relevante da sua reflexão, no âmbito desta análise, consiste na falácia de que o problema ecológico seria solucionado pela eficiência técnica e pela ênfase na conduta responsável do consumidor.
Sobre a ênfase na conduta do consumidor, escreve: "Supõe-se que é preciso procurar que os consumidores estejam conscientes da irracionalidade de seu modo de vida e adotem uma conduta presidida pela austeridade, pela eficiência e pela consciência cívica e ecológica. Assim, é preciso convencer os cidadãos" para que reorientem seu consumo (...) "Da pressão do consumidor se há de derivar que as empresas compitam entre si para oferecer os melhores produtos do ponto de vista da eficiência energética e do impacto ambiental. Assim, de forma paulatina, se irá eliminando o esbanjamento e a sociedade se fará mais racional, austera e eficiente".
Mas, o verdadeiro problema deste tipo de argumentação, alerta Robert Tomás, está na "assunção ilusória da capacidade do consumidor para determinar as decisões produtivas das empresas. Basta fixar-se nos poderosos condicionantes a que está submetido o consumo para dar-se conta do irreal desta proposta. É preciso dar um passo a mais e examinar o significado do consumo no contexto das pautas culturais de nossa modernidade".
Crise ecológica. O Brasil está perdendo o bonde da história
"Uma sociedade sustentável é aquela que satisfaz suas necessidades sem diminuir as perspectivas futuras". Dessa forma, o ambientalista Lester Brown define o conceito de sustentabilidade tão em voga nos últimos tempos. Nesse contexto, e tomando como referência o debate exposto anteriormente, o caso brasileiro se manifesta como uma tragédia anunciada.
O Brasil não apenas está preso ao mantra do crescimento econômico, como vem optando por um crescimento predatório que inevitavelmente comprometerá a vida das gerações futuras. A cegueira, a cobiça e a avidez dos interesses econômicos estão comprometendo aquilo que é o diferencial para a qualidade da bios planetária: a biodiversidade.
O Brasil vem sistematicamente arrasando os seus biomas – amazônia, cerrado, caatinga, pantanal, mata atlântica, pampa – em nome do crescimento econômico. O país está perdendo o bonde da história e não percebe, ou não quer perceber, que é um dos poucos países que poderia oferecer uma alternativa à crise civilizacional, ancorada, sobretudo na crise climática.
"Hoje, estamos num sistema em decadência e, novamente, não se tem uma visão estratégica de futuro, com sustentabilidade", lamenta a ex-ministra Marina Silva, comentando as entrevistas do presidente Lula e do ex-presidente Fernando Henrique a uma revista semanal sobre as perspectivas do Brasil para 2020. Segundo a ex-ministra, os dois não falaram nada do meio ambiente. "Não reconhecem no Brasil, mais do que em qualquer outro país, o território propício ao surgimento de um modelo de desenvolvimento capaz de fazer a fusão concreta da justiça social sempre procurada, da dinâmica econômica e da dinâmica ambiental", afirma a ex-ministra.
Definitivamente nunca a humanidade se deparou de forma tão real com o risco de extinção da espécie humana, porém, ao mesmo tempo, e apesar dos sinais evidentes e reiterados, não há interrupção na lógica predatória de exploração dos recursos naturais. Ao contrário, a sensação que se tem é que diante de recursos ameaçados aumenta a ambição desmedida.
O pacote anti-ambiental. A ofensiva dos grupos econômicos
O caso brasileiro é emblemático. Assiste-se a uma ofensiva sem precedentes de grandes grupos econômicos, capitaneados pelo agronegócio, sobre os recursos naturais. "Seja por intermédio de suas bancadas na Câmara e no Senado ou através de suas entidades de classe, os setores ligados ao agronegócio e às obras de infra-estrutura estão mobilizados de Norte a Sul para reverter pontos da legislação ambiental por eles considerados como um entrave ao desenvolvimento produtivo do país", afirma Maurício Thuswohl.
Segundo ele, os ruralistas iniciaram a maior ofensiva contra leis ambientais jamais vista na história brasileira. "Ao que tudo indica, diz Maurício Thuswohl, os últimos 18 meses do governo Lula serão marcados por uma forte ofensiva ruralista contra os avanços conquistados pelo Brasil em sua política ambiental".
Algo semelhante, afirma a senadora Marina Silva: "A atual temporada de caça à proteção ambiental não arrefece", constata a ex-ministra acerca do lobby permanente, incessante e vigoroso dos ruralistas para o desmanche da legislação ambiental que obstaculiza os seus interesses exploratórios.
Marcio Santilli do Instituto Sócio Ambiental (ISA), enxerga um verdadeiro complô contra a legislação ambiental. Segundo ele, "os ruralistas querem se livrar da reserva legal, que exige a manutenção de cobertura florestal em parte das propriedades rurais; empreiteiras querem fragilizar o licenciamento de obras e pagar o mínimo como compensação ambiental; grileiros querem legalizar a ocupação privada de terras públicas; e todos eles fizeram um pacto sinistro, para reunir os votos de parlamentares que lhes devem favores em torno de uma agenda negativa comum".
Nunca tantos projetos que afetam o ambiente tramitaram no Congresso brasileiro como agora. No pacotão anti-ambiental, que Santilli classifica de pacto sinistro, encontram-se, entre outras, as seguintes iniciativas: Medida Provisória 452; Medida Provisório 458 – conhecida também como MP da Grilagem; alteração do Código Floresta; asfaltamento da BR-319 (Manaus-Porto Velho).
Para Nilo D'Ávila, coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace, iniciativas como a MP 452, a MP 458 e as propostas de alteração no Código Florestal vão na contramão das metas de redução de desmatamentos assumidas internacionalmente pelo governo brasileiro no Plano Nacional de Mudanças Climáticas: "o governo tem um discurso mais verde para uso externo e outro, bem mais sombrio, para ser usado dentro do país".
Todas as iniciativas têm em comum o ataque às poucas conquistas ambientais inscritas na constituição brasileira. A MP 452, acabava com a necessidade de licenciamento ambiental para intervenções de reparo, melhoria e duplicação em rodovias federais, inclusive as que cortam a Amazônia. A MP chegou a ser aprovada na Câmara, mas foi obstruída no Senado por falta de quorum. A iniciativa, um projeto de lei de José Guimarães (PT-CE), passou na Câmara graças ao apoio da base governista.
Por outro lado, a MP 458, aprovada na Câmara, permite legalizar milhares de posses de terras públicas com até 1.500 hectares (15 km2) nos Estados amazônicos. Com os adendos, chancela o festival de grilagem na região e abre portas para mais concentração agrária. Segundo a ex-ministra Marina Silva, a MP coloca a Amazônia em risco: "É a consagração da política nefasta do fato consumado. Avança-se sobre áreas públicas na certeza de que mais dia menos dia tudo será legalizado. É um convite a surtos futuros de grilagem, na expectativa de mais uma regularização que, como essa, beneficiará os grandes em nome dos pequenos e da questão social", diz ela.
Para o especialista em ocupação humana e conflitos agrários na Amazônia e professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), Ariovaldo Umbelino de Oliveira, a MP 458 só serve aos interesses de grileiros e funcionários do Incra. Os ambientalistas acusam o senador José Sarney de ter indicado a senadora Kátia Abreu (DEM/TO), da tropa de choque ruralista, como relatora da Medida Provisória 458 no Senado. Segundo os ambientalistas a decisão equivale a raposa tomar conta do galinheiro.
Na esteira de ataque à legislação ambiental, encontra-se ainda a guerra contra o Código Florestal. A bancada ruralista protesta contra a exigência de cumprimento do Código Florestal e quer alterá-lo por considerá-lo rigoroso. Henrique Cortez, coordenador do EcoDebate, lembra que a aprovação do código é de 1965. Segundo ele, "em 1965 a expansão da fronteira agropecuária praticamente não atingia o Cerrado e a Amazônia. De 1965 para cá quem desmatou além do permitido sabia que estava desmatando ilegalmente e o fez deliberadamente. Não é uma vítima inocente de uma lei injusta aprovada 'ontem'", afirma. O ambientalista comenta que "a Constituição brasileira ou de qualquer lugar do mundo não garante direitos adquiridos pela ilegalidade. A ninguém é facultado o direito de cumprir ou não a lei. Ilegalidade não se relativiza".
Os ataques, e desrespeito sistemático à legislação ambiental, estão por detrás da lenta, mas vigorosa destruição da biodiversidade brasileira. Quatro décadas é o tempo que resta de vida para a Mata Atlântica — a floresta que, em 1500, recobria todo o litoral brasileiro e da qual, hoje, restam 7,9% — se o atual ritmo de destruição for mantido. É o que revela o estudo realizado pelo Atlas dos Remanescentes Florestais divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Estudo mostra que, a despeito de campanhas e alertas, o desmatamento persiste inabalável, no ritmo de 34 mil hectares ao ano desde 2000. Nessa velocidade, a floresta tem data para acabar: 2050.
Ainda mais grave. O Greenpeace acusou o governo brasileiro de financiar e lucrar com o desmatamento da Amazônia. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), segundo a Ong ambientalista é sócio de empresas frigoríficas que têm como fornecedores fazendas que derrubaram floresta recentemente. Entre 2007 e 2009, as cinco maiores empresas do setor, responsáveis por mais da metade das exportações brasileiras de carne, receberam US$ 2,6 bilhões do BNDES em troca de ações, aponta o Greenpeace em relatório divulgado, no qual investiga a cadeia de custódia da carne amazônica.
Acerca da Amazônia, a ativista ambiental indiana Vandana Shiva em entrevista ao jornal La Repubblica, com tradução postada no sítio do IHU, afirma que "a Amazônia não é só uma floresta. Não é só do Brasil. É, antes de tudo, o maior depósito de biodiversidade do mundo, a contribuição mais importante para a estabilidade climática e hidrogeológica que restou na terra. Por isso, é uma questão mundial. E posso dizer, por ter visto com os meus próprios olhos, que a destruição que está ocorrendo ali e a luta ímpar dos índios contra as empresas que querem madeira e matérias-primas e a quem não importa nada deles é uma questão global, e como tal deve ser tratada. Pelos governos em primeiro lugar".
Vandana Shiva defende que uma atitude radical em relação à Amazônia. Segundo ela, "deveriam, sobretudo, se esquecer da palavra lucro quando se fala sobre essa área do mundo. Os únicos investimentos na Amazônia deveriam ser dirigidos para se garantir a sua sobrevivência e proteção. Só isso deveria ser considerado um ganho, em termos de estabilidade. O que eu espero concretamente é a formação de uma aliança global entre os países em nome da conservação da Amazônia".
País repete erros em nome do desenvolvimento
O ataque sistemático do grande negócio à legislação ambiental e o silêncio do governo, levou o ministro do meio-ambiente, Carlos Minc, a criticar o próprio governo. Cobrado por ambientalistas a reagir às pressões, Minc acusa ruralistas de terrorismo e busca aliança com pequenos agricultores para barrar mudanças nos limites de desmatamento. O ministro chegou a chamar de "vigaristas" os parlamentares ligados ao agronegócio e criticou duramente os seus colegas ministros, particularmente Reinhold Stephanes (Agricultura), Mangabeira Unger (Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos), e Alfredo Nascimento (Transportes).
Minc declarou: "Completei um ano, servi lealmente ao presidente, resolvemos vários imbróglios, grandes licenças e vamos resolver várias outras. Mas uma série de questões está tirando a sustentabilidade ambiental e política do ministério", disse.
O desabafo do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, contra colegas de governo deixou irritado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao reafirmar a impressão de que o auxiliar prefere "jogar para a plateia" em questões internas da gestão federal. Mas Lula não pensa em demitir o ministro, nem espera um pedido de demissão de Minc.
A ex- ministra Marina Silva vê o ministério do meio-ambiente enfraquecido: "É um momento de muita preocupação. Ele (Minc) está correto em estar preocupado. O setor ambiental tem sido subtraído. Há um conjunto de ações que vão subtraindo o papel do ministério e o transformando em uma ONG dentro do governo".
"Como posso cuidar da sustentabilidade ambiental do país quando minha própria sustentabilidade está solapada", disse o ministro ao presidente Lula. Desde o início do ano, Minc vem se sentido cada vez mais isolado por pressões para acelerar a liberação de licenças ambientais para o asfaltamento da rodovia BR-319, que corta parte da floresta amazônica, e para atenuar punições a crimes ambientais. O isolamento do ministro acontece apesar de ele ter agilizado o processo de licenciamento de novas hidrelétricas na Amazônia, como a usina de Belo Monte, no Pará, uma das maiores obras do PAC. Com dificuldade de resistir a pressões que considera além do limite do aceitável e tendo de contabilizar uma derrota importante na redução da taxa de compensação ambiental cobrada dos empreendimentos, o ministro também viu ralear o apoio de ambientalistas.
O fato é que o enfraquecimento de Carlos Minc – o mesmo processo paulatino que sofreu a ex-ministra Marina Silva –, manifesta a pouca preocupação com agenda ambiental por parte do governo Lula. O presidente Lula nunca demonstrou encantamento algum pela causa verde, ao contrário, sempre a viu como um entrave para o desenvolvimento e o crescimento econômico. O presidente não tem consciência de que estamos frente a uma crise epocal que tem no seu âmago a questão ecológica.
Marcio Santilli do Instituto Sócio Ambiental (ISA), frente ao ataque sistemático do grande negócio à legislação ambiental pergunta: "Qual é a do Lula nisso tudo?". E continua: "Acredita mesmo que o licenciamento atrapalha as obras? Que mais vale expandir a fronteira agrícola para gerar produtos para exportação? Que não há saída para a crise sem detonar o patrimônio natural nacional? Que o financiamento por empreiteiras será essencial para o sucesso da sua candidata presidencial? Ou terá clareza sobre o custo real desses danos, sobre a gravidade da situação climática, sobre os impactos negativos na sua retórica, na sua imagem e na do País"?
O pesquisador do ISA interpela: "Queremos uma posição clara do presidente sobre o complô em curso. É claro que esperamos dele uma postura compatível com a responsabilidade da sua função, focada na saúde do povo, no zelo pelo patrimônio público e nos interesses das futuras gerações. Mas seria menos ruim vê-lo assumindo esta conspirata, do que na postura omissa e ambígua em que se encontra, mais danosa à sua condição de líder".
Assim como o país tolerou em décadas passadas agressões gratuitas ao meio ambiente – Itaipu, Balbina, Tucuruí, Transamazônica –, tudo leva a crer que caminha para outros erros: aceitação dos transgênicos, transposição do Rio São Francisco, expansão da cana-de-açucar para produção do etanol, construção de hidrelétricas, retomada do programa nuclear, enfraquecimento da legislação ambiental, pavimentação de rodovias que rasgam áreas intocáveis da Amazônia. .
Assim como a nossa geração lamenta os erros cometidos pelas gerações anteriores, tudo indica que as gerações futuras lamentarão as decisões de hoje. Infelizmente, o Brasil parece não perceber que frente à crise epocal, desencadeada pelo aquecimento global, joga um papel estratégico. No contexto da crise ambiental, o país abre mão de utilizar racionalmente os recursos naturais limitados e parte com tudo para opções preocupantes.
"Uma sociedade sustentável é aquela que satisfaz suas necessidades sem diminuir as perspectivas futuras", lembra-nos o ambientalista Lester Brown. Será que o Brasil está fazendo a lição de casa?
Conjuntura da semana em frases
Amazônia
"Deveríamos antes de tudo esquecer a palavra lucro quando falamos da Amazônia. Os únicos investimentos na Amazônia deveriam ser orientados para garantir a sua sobrevivência e proteção. Somente isso já deveria ser considerado como um ganho, em termos de estabilidade" – Vandana Shiva, ecologista indiana – La Repubblica, 01-06-2009.
Rabinho de capeta
"Os ruralistas encolheram o rabinho de capeta e agora fingem defender a agricultura familiar. É conversa para boi dormir. Não se deixem enganar. São vigaristas. Não é a CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária) que fala em nome da agricultura familiar, é a Contag e outros movimentos sociais" – Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente – O Estado de S. Paulo, 28-05-2009.
Agricultor familiar
"Não é correto tratar o agricultor familiar, que tem 50 hectares e trabalha com a família, da mesma forma que aquele que tem 100 mil hectares e às vezes emprega boias-frias e até trabalhadores em situação análoga à da escravidão" – Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente – O Estado de S. Paulo, 28-05-2009.
Picanha
"A gente contraria interesses. Tem gente querendo meter pecuária em qualquer lado. Essa turminha está atrás de mim. Cada um quer vier com machadinha tirar uma picanha do Carlinhos Minc. Eu já disse que isso não é fácil assim" - Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente - Valor, 02-06-2009.
Dilma e Serra
"A eleição foi tão antecipada que já estamos no segundo turno: é Dilma e Serra. O resto é especulação – José Múcio Monteiro, ministro das Relações Institucionais, sobre a ideia de terceiro mandato ou de "plano B" para a candidatura petista – Folha de S. Paulo, 01-2009.
Pode escrever
"Essa mulher (Dilma Rousseff) vai ser presidente. Pode escrever" — José Múcio, ministro das Relações Institucionais, sobre as pesquisas Datafolha e CNT/Sensus – O Globo, 02-06-2009.
Dilma é Lula
"Ganho a eleição com a Dilma. Ela vai ser a única candidata da situação. Vai se estabelecer um confronto, Dilma x Serra, e vai ficar claro que Dilma é Lula. E isso a favorece. Não tem segundo turno. Vamos ganhar no primeiro turno" – Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República – O Globo, 30-05-2009.
Dilma e o padre
"A ida de Dilma Rousseff amanhã à celebração de Pentecostes organizada pelo padre Moacir Anastácio, em Taguatinga, Brasília, vale mais que muitos comícios. O padre, com fama de milagreiro, é conhecido por arrastar multidões e pela amizade com certos políticos, digamos, polêmicos, como o senador Gim Argello" – Ancelmo Gois, jornalista – O Globo, 30-05-2009.
Bíblia
"Lula é como a Bíblia: cada um lê e interpreta como quer" – máxima dos bastidores do PTO Estado de S. Paulo, 31-05-2009.
Gilbertinho
"Gilbertinho não dá para isso. Ele é um homem bom" – Lula descartando Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente da República, como candidato à presidência do PT – O Estado de S. Paulo, 31-05-2009.
Tropa
"Lula é o presidente de fato do PT, é ele que tem a tropa. Aí ninguém quer ser candidato porque o cara pensa assim: 'Por que eu vou ser uma rainha da Inglaterra?'" – Devanir Ribeiro, deputado federal – PT-SP – O Estado de S. Paulo, 31-05-2009.
Tenso
"O PSDB está tenso com a avaliação positiva do governo Lula, que se manteve na crise mundial" – Ilimar Franco, jornalista – O Globo, 28-05-2009.
Tucano
"As espécies foram preservadas. Aqui existem mamíferos e aves. Só não tem tucano, porque tucano não gosta da Petrobras" - Paulo Bernardo, ministro do Planejamento, elogiando a preocupação ambiental da Petrobras durante evento numa usina de processamento de xisto no município paranaense de São Mateus do Sul, PR – Folha de S. Paulo, 02-06-2009.
Fase boa
"O Roger Agnelli (presidente da Vale) ganhou muito na fase boa e agora não contribui na dificuldade" – Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República – O Globo, 30-05-2009.
Equívoco

"Nunca pedi auxílio-moradia e, por um equívoco, a partir de 2008, segundo me informaram, realmente estavam depositando na minha conta" – José Sarney, presidente do Senado, reconhecendo que recebia o benefício a parlamentar que não ocupa imóvel funcional tendo ou não moradia própria na capital – O Globo, 31-05-2009.

Sem perceber
"Poucos brasileiros podem se dar ao luxo de durante algum tempo receber R$ 3.800 por mês em suas contas bancárias sem nada perceber. Não custa lembrar, o salário mínimo é hoje de R$ 465. Se a Folha não publicasse a reportagem nesta semana, Sarney continuaria a embolsar seu auxílio-moradia anos a fio, sem perceber (sic)" – Fernando Rodrigues, jornalista, comentando o fato de José Sarney, presidente do Senado, ter recebido R$ 3.800 por mês, como auxílio moradia, "sem ter percebido", segundo o senador – Folha de S. Paulo, 30-05-2009.

SC e MA


"Em Santa Catarina, onde as doações espontâneas foram de R$ 35 milhões, as coisas não andaram como se queria. No Maranhão, onde não se alcançou ainda a marca dos R$ 100 mil, devemos a deixar a esperança no caminho?" – Fernando Gabeira, deputado federal – PV-RJ – Folha de S. Paulo, 29-05-2009.
Babaçu sem Bolsa Família
"No Maranhão, é preciso ser resistente como o babaçu, que só morre com doses cavalares de veneno. E não recebe Bolsa Família" – Fernando Gabeira, deputado federal – PV-RJ – Folha de S. Paulo, 29-05-2009.
Tsunami no PI
"Foi um tsunami.Vi geladeira em cima de árvores, casas reviradas, telhados para baixo e paredes para cima. Animais, cavalos, galinhas, todos mortos. Uma cena terrível" – Wellington Dias, governador do Piauí - PT, depois de sobrevoar a área atingida pelo rompimento da barragem Barragem Algodões I, em Cocal – O Globo, 29-05-2009.
Poluição
"Aquilo que é o ar para a vida biológica, é o Espírito Santo para a vida espiritual. E como existe a poluição atmosférica, que envenena o ambiente e os seres vivos, assim existe também uma poluição do coração e do espírito, que mata e envenena a existência espiritual" - Bento XVI, no sermão de Pentecostes - portal do jornal La Repubblica - 31-05-2009.
Bar, padaria, escritório e casa

"A não ser que o sujeito seja um Colombo ou um Pizarro, a grande maioria dos homens vive entre a padaria, o bar, o escritório e a casa. E eles se relacionam muito mal com essa vida cotidiana" - Contardo Calligaris, psicanalista – Veja, 03-06-2009.

1 de jun. de 2009

vamos à Feira de Economia Solidária do MERCOSUL?

Caros/as amigos/as!

 

Informamos que a Escola de Formação Fé, Política e Trabalho, em conjunto com a ACREDISOL / RS (Associação de Microcrédito Popular e Solidário) e Cáritas de Caxias do Sul, está organizando uma viagem para participar da Feira de Economia Solidária do MERCOSUL, grande evento que acontece em Santa Maria, conforme podes conferir abaixo.

 

Vamos sair de ônibus de Caxias do Sul, no dia 11 de julho, sábado, às 5h30m, com saída em frente à Catedral e retornaremos de Santa Maria, às 18h do mesmo dia. O valor da passagem está em torno de R$ 50,00. Caso conseguirmos lotar o ônibus, talvez o valor fique um pouco menor.

 

Para maiores informações pode ser usado o endereço eletrônico da Cáritas: caritascaxias@yahoo.com.br, ou pelos telefones (54) 3211-5032 / 91649998, ou pelo endereço eletrônico da ACREDISOL: acredisol@gmail.com.

 

Para a inscrição precisamos do nome completo com um documento de identidade (RG ou CPF).

 

Vamos repassando a informação!

 

Cáritas - Caxias do Sul                            ACREDISOL / RS

www.caritascaxias.blogspot.com              www.acredisol.blogspot.com

 


 

É com muita alegria que saudamos à todos/as e lhes lançamos um importante   Convite para os EVENTOS DO  COOPERATIVISMO e da ECONOMIA SOLIDÁRIA DO BRASIL,  do   MERCOSUL e  da   AMÉRICA LATINA:    

 

  FEIRA   DE ECONOMIA  SOLIDÁRIA  DO MERCOSUL

16ª  FEICOOP -  FEIRA  ESTADUAL  DO  COOPERATIVISMO

 8ª FEIRA   NACIONAL  DE  ECONOMIA  SOLIDÁRIA

  MOSTRA  DA  BIODIVERSIDADE  e  FEIRA  de  AGRICULTURA FAMILIAR

  SEMINÁRIO LATINO AMERICANO DE  ECONOMIA  SOLIDÁRIA  

  CAMINHADA  INTERNACIONAL E   ECUMÊNICA  PELA  PAZ

                             

"O MAIOR  EVENTO DO COOPERATIVISMO  ALTERNATIVO  DO  RS,

DO  BRASIL  E  DA  AMÉRICA  LATINA "

 

            DATA:  10 a  12 de  Julho  de   2009  -   SANTA  MARIA  -  RS  -  BRASIL      

           LOCAL: Centro de Referência de Economia Solidária  Dom  Ivo Lorscheiter

                       Rua Heitor Campos, s/nº - Bairro  Medianeira - Santa Maria - RS - BRASIL

 

Para  contatos:

PROJETO ESPERANÇA/COOESPERANÇA                   

Rua  Silva  Jardim, 1704 -  97.010-490 – Santa  Maria  - RS

Telefone: 55  3219-4599/ 3223-0219                                                                                                   

E.mail:projespcooesp@terra.com.br 

Site: www.esperancacooesperanca.org.br