Conjuntura da Semana - Campanha 10:10:10 e o 'Tempo para a Criação' A análise da conjuntura da semana é uma (re)leitura das 'Notícias do Dia' publicadas, diariamente, no sítio do IHU. A análise é elaborada, em fina sintonia com o Instituto Humanitas Unisinos - IHU, pelos colegas do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores - CEPAT - com sede em Curitiba, PR, parceiro estratégico do Instituto Humanitas Unisinos - IHU. Sumário: Campanha 10:10:10 e o "Tempo para a Criação" Campanha 10:10:10 contra a mudança climática Campanha 10:10:10 e o Tempo para a Criação Faça a sua parte Começar por cima – comprometer os líderes mundiais Muitos já estão fazendo a sua parte. Iniciativas do local ao global Carro e planeta sustentável não combinam Dieta do clima. Menos carne, menos CO2 Slow food. Alimento bom, limpo e justo Agroecologia Ecoblogueiros... Transformar o mundo pela atitude 'Viver Bem'. Uma concepção diferente de vida Resistência aos megaprojetos Eis a análise. Campanha 10:10:10 contra a mudança climática Em um dia, qual é a sua "contribuição" para a emissão mundial de CO2 e, assim, para as mudanças climáticas? Para reverter esse quadro, você se comprometeria em reduzir 10% do seu consumo de carbono? Essa é a proposta da campanha mundial 10:10:10, que visa transformar o dia 10 de outubro de 2010 na data com o maior número de ações positivas contra as mudanças climáticas da história. A mudança climática é uma realidade que vem se impondo com força sempre maior, assim como o reconhecimento – hoje com cada vez menos objetores – da sua relação com a intervenção humana na Terra. Simultaneamente, cresce a consciência – e as práticas – de que isso não é uma fatalidade. Pelo contrário. Como costuma repetir o filósofo e sociólogo francês Edgar Morin, "lá onde cresce o perigo, cresce a luta pela salvação". "O impacto das mudanças climáticas sobre o meio ambiente, a biodiversidade, a saúde e a segurança dos seres humanos se tornarão sempre mais graves se as emissões de gás de efeito estufa não forem imediatamente reduzidas" reflete a Julia Marton-Lefèbre, em entrevista especial à IHU On-Line. Mas, alerta a diretora-geral da União Internacional pela Conservação da Natureza – UIC –, que reúne governos, ONGs e cientistas, "a natureza também está em condições de nos fornecer utensílios poderosos para lutar contra a mudança climática". A campanha 10:10:10 parte desta constatação. A aproximação do perigo que a mudança climática pode representar para a vida na Terra é, por outro lado, momento propício – o kairós – para a ação. A vida tem o instinto de se manter viva. E há "utensílios" que podem ser aproveitados para a "salvação" da vida. Evitar que isso aconteça é sinal de responsabilidade para com toda a criação. A campanha é a conjunção de, ao menos, três campanhas de alcance mundial. A campanha 10:10 Global (www.1010global.org) surgiu em 2009 na Inglaterra com a Franny Armstrong, diretora do filme A Era da Estupidez, sucesso de bilheteria sobre as mudanças climáticas. A campanha foi lançada oficialmente em setembro de 2009 e atraiu a adesão de milhares de pessoas, empresas, escolas e organizações. Atualmente, a campanha conta com a participação de mais de quase 100 mil pessoas, milhares de empresas e líderes de todo o mundo, que se comprometeram em reduzir em 10% a sua emissão de gás carbônico. Este ano, a campanha ganhou a adesão de outra ação mobilizadora, a "350", também conhecida como Dia Global de Soluções Climáticas. A 350.org busca soluções para a crise climática a partir de uma conscientização em torno das 350 partes por milhão de CO2, taxa que, se for superada, segundo os cientistas, acelerará ainda mais os danos causados pelo aquecimento global, que já são visíveis. No dia 10 de outubro de 2009, a 350.org coordenou mais de 5.200 marchas e manifestações simultâneas em 181 países, naquilo que a CNN chamou de "o mais abrangente dia de ação política na história do planeta". Esta parceria, junto com outras organizações ambientais, veio para colocar como marco das ações da campanha o dia 10 de outubro de 2010 (por isso 10:10:10). Esse será o dia da maior mobilização local contra as mudanças climáticas em todo o mundo. Assim, uma rede internacional de campanhas 10:10 estará em movimento nessa data, reunindo pessoas e organizações de todo o mundo para cortar em 10% as suas emissões de CO2 em um ano. Campanha 10:10:10 e o Tempo para a Criação Como se já não bastasse, em 2010 a campanha ainda recebeu a adesão do Conselho Mundial de Igrejas. Em setembro de 1989, o patriarca ecumênico Dimitrios I, já falecido, iniciou a tradição anual de orar pelo meio ambiente. Assim, a cada ano, de 1 de setembro – primeiro dia do ano da Igreja Ortodoxa – a 4 de outubro – dia de São Francisco de Assis, na tradição católica – as igrejas são chamadas a participar do chamado Tempo para a Criação, tempo de reflexão e de oração pela natureza. O "Tempo para a Criação" é um período privilegiado para que as Igrejas reflitam e rezem pela proteção do meio ambiente "como Criação divina e herança compartilhada", nas palavras do Patriarca Ecumênico da Igreja Ortodoxa, Bartolomeu I. O tema do "Tempo para a Criação" deste ano, "Criação florescente: Um momento para a celebração e o cuidado", também está relacionado ao Ano Internacional da Biodiversidade, da ONU. Este ano, excepcionalmente, o "Tempo para a Criação" irá encerrar no dia 10 de outubro, para se unir à campanha 10:10:10 com orações, vigílias e ações concretas. Atualmente, a data é reconhecida por ortodoxos, protestantes e católicos. Dentro desse espírito ecumênico, o Instituto Humanitas Unisinos – IHU – e o CEPAT também se somaram à campanha 10:10:10 com ações concretas. Com vistas a fomentar a conscientização e reflexão sobre o "Tempo para a Criação", a IHU On-line publicou e continuará a publicar diversos materiais nas Notícias do Dia, nas Entrevistas do Dia e no blog. A Revista IHU On-Line de 04 de outubro abordará esta temática, e o gesto concreto será o de que esta edição não terá versão impressa. Além disso, será desenvolvido pelo IHU amplo programa de debates e ações até o dia 10-10-10 que será divulgado na próxima edição da Revista. De 5 de setembro até 10 de outubro, sempre aos domingos, são publicados textos de autoria do reverendo anglicano inglês Keith D. Innes, membro do Churches Together in Britain and Ireland, órgão ecumênico que reúne diversas Igrejas cristãs dos dois países. São reflexões sobre as principais leituras das celebrações dominicais do Lecionário Comum das Igrejas cristãs. As reflexões desse período serão as seguintes: Semana 1: 5 de setembro Soberania de Deus, responsabilidade humana Semana 2: 12 de setembro A comunidade de toda a criação Semana 3: 19 de setembro As consequências da ganância e da injustiça Semana 4: 26 de setembro O amor ao dinheiro e suas consequências Semana 5: 04 de outubro Dia de São Francisco - Colheita de Ação de Graças Faça a sua parte A campanha 10:10:10 assenta sobre a divisa "pensar globalmente, agir localmente". Assim, mesmo problemas que afetam a Terra inteira podem ser enfrentados a partir de ações locais. A campanha aposta na capacidade de tomar iniciativas, modificar práticas e hábitos e não na impotência. Significa um politizar as atitudes e o cotidiano. Quando Franny Armstrong pensou na campanha 10:10, no contexto dos debates sobre Clima e Energia, teve presente duas coisas. O relatório de Segurança Climática avaliou que um corte de 10% nas emissões dos países desenvolvidos em 2010 era o tipo de objetivo que poderia ajudar a maximizar a possibilidade de evitar uma catástrofe climática. E, em um artigo recente, o ambientalista britânico George Monbiot havia exposto o tipo de medidas necessárias para alcançar esse tipo de cortes rápidos nas emissões de carbono. Além disso, os 10% em 2010 também pareciam ser um objetivo bem mais tangível do que os distantes 80% até 2050, defendidos por alguns políticos europeus. Segundo Julia Marton-Lefèbre, "cabe a cada um adotar gestos ecológicos no cotidiano...". E é isso que já está acontecendo pelo mundo afora e que será reforçado com a campanha 10:10:10. Uma série de iniciativas estão sendo organizadas ao redor do mundo. São propostas assumidas por grupos e indivíduos, que serão realizadas no dia 10:10:10 ou ao longo de um ano, a partir dessa data, como forma de combater as mudanças climáticas. Veja também os 20 gestos concretos em torno da proteção da Criação que podem ser realizados em nosso cotidiano para ajudar o meio ambiente e reduzir o nosso consumo de carbono e emissão de CO2. Começar por cima – comprometer os líderes mundiais "Cabe a cada um adotar gestos ecológicos no cotidiano e incitar os governos e as empresas a fazer da preservação da biodiversidade uma prioridade maior", incita Julia Marton-Lefèbre. Esta campanha tem a vantagem de trabalhar não apenas no nível pessoal, local, por mais importante que isso possa ser. Há quem critique as ações nesse nível, e com razão, quando desvinculadas do contexto mais amplo. Entretanto, é de se considerar que a consciência ecológica não nasceu entre os políticos nem no mundo dos negócios. Pelo contrário, nasceu da iniciativa da sociedade civil. Por isso, concomitantemente, trata-se também de incitar os líderes mundiais – econômicos e políticos – a também implementarem políticas com vistas à redução do consumo de carbono e emissão de CO2. Por uma feliz coincidência, o dia 10 de outubro de 2010 está a exatas 10 semanas do encontro dos políticos do mundo inteiro, que se reúnem novamente no México para tentar finalizar o acordo climático que não foi alcançado em Copenhague. Por isso, uma das campanhas que compõem o mosaico de ações do 10:10:10 é a Começar por cima. O abaixo-assinado pede que os líderes mundiais incentivem a instalação de painéis solares em seus países até o dia 10:10:10 e que assumam um real compromisso para criar políticas que possam fomentar o uso de energias limpas. O presidente Mohamed Nasheed, das Maldivas, e a presidente Pratibha Patil, da Índia, por exemplo, já se comprometeram com a proposta. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por sua vez, perdeu uma ótima oportunidade para aderira à campanha. Algumas semanas depois de destinar US$ 2 bilhões para novas pesquisas com energia solar, decidiu vetar a instalação de painéis solares no teto da Casa Branca. Também há um abaixo-assinado dirigido especificamente ao presidente Lula, convocando-o a instalar painéis solares nos telhados do Palácio da Alvorada e a criar uma legislação que possibilite que os brasileiros ajudem na construção de um "futuro de energias limpas". Em sua versão brasileira, o pedido é claro e explícito: Senhor Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chegou a hora de agir em relação à crise climática. No dia 10/10/10, milhares de comunidades de todo o mundo irão se juntar para celebrar soluções pelo clima. Por todo o mundo, vamos colocar painéis solares, instalar turbinas eólicas, criar jardins comunitários e muitas outras coisas. Quer juntar-se a nós? Instale painéis solares nos telhados do Palácio da Alvorada, e depois crie uma legislação que torne possível a toda a gente no país juntar-se ao senhor num futuro de energias limpas. Precisamos da sua ação simbólica – e depois de ação de verdade. Observe-se que o Palácio da Alvorada passou recentemente por uma milionária reforma que simplesmente "esqueceu" deste "detalhe". A crescente receptividade da campanha mostra que as pessoas estão sedentas de participação e querem de alguma maneira mostrar que todos podem se envolver localmente para fazer frente a uma questão global. Muitos já estão fazendo a sua parte Iniciativas do local ao global Em consonância com as campanhas 10:10:10, Tempo para a Criação e 350.org muitos já estão fazendo a sua parte faz algum tempo. Há vários movimentos na sociedade mundial em busca de outro paradigma civilizatório. Um paradigma que seja sustentável com a natureza e as necessidades humanas presentes e futuras. Particularmente no que concerne ao esforço em reduzir a pressão sobre os recursos naturais e mitigar a emissão de poluentes há várias iniciativas em curso na sociedade mundial. Todas elas têm em comum o fato de que buscam formas alternativas de vida, de produção, de organização e atuação política. Surgem por iniciativa de um grupo de pessoas, caracterizam-se como ações "locais", mas pretendem que se tornem práticas e/ou políticas de caráter global. Dentre as várias iniciativas que estão em sintonia com o espírito das campanhas descritas destacamos os movimentos: Dia mundial sem carro, Segunda-feira sem carne ou dieta do clima, Slow Food, Agroecologia, ecoblogueiros, Vivem Bem, e o amplo movimento da Economia Solidária. Carro e planeta sustentável não combinam O carro tornou-se um produto de bem-estar da maioria dos habitantes do mundo. As pessoas já não sabem viver sem o carro e o seu uso generalizado e indiscriminado se tornou uma ameaça para o futuro do planeta. Erigimos o 'Império do automóvel' e agora - da prometida sociedade do bem-estar -, ele, o carro, nos empurra para um crescente mal-estar: dependência, poluição do ar, acidentes, barulho, engarrafamentos. A mobilidade prometida pelo carro aos indivíduos se tornou fonte de angústia, estresse e sofrimento. O mais grave de tudo, porém, é que o carro é hoje o maior responsável pela emissão de CO2 e, portanto, incompatível com a sustentabilidade do planeta. Para se contrapor a lógica irracional do uso crescente do carro surgiu a Campanha Dia mundial sem carro. O movimento surgiu na França, no final dos anos 90, e chegou ao Brasil em 2001. Desde então vem se espalhando pelo mundo, ganhando a cada edição mais adesões nos cinco continentes. O movimento propõe deixar o carro em casa e se deslocar – para o trabalho ou para qualquer outra atividade – utilizando formas alternativas de transporte com menor impacto ambiental, como o transporte coletivo, a bicicleta ou mesmo indo a pé. O movimento questiona os gigantescos problemas causados pelo uso intenso de automóveis como forma de deslocamento, sobretudo nos grandes centros urbanos, e sugere um convite ao uso de meios de transporte sustentáveis - entre os quais se destaca a bicicleta. A proposta do Dia Mundial Sem Carro é que as pessoas deem três passos simples: Passem um dia sem carro; Observem de perto o que acontece em sua cidade nesse dia; Reflitam pública e coletivamente sobre o que mudou e o que pode ser feito a partir de então. Para quem deseja conhecer mais sobre a iniciativa remetemos para a leitura da revista IHU On-Line nº 116 – Na Cidade sem meu carro. Dieta do clima. Menos carne, menos CO2 Outra iniciativa que vem ganhando adesões para se contrapor ao aquecimento global é a dieta do clima ou também conhecida como segunda-feira sem carne. A criação intensiva de gado desmata e causa poluição na água e no ar. Segundo um estudo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), as emissões de gases de efeito-estufa – como o dióxido de carbono, o metano e o óxido de nitrato – associadas à cadeia de produção da carne representam um quinto das emissões totais mundiais. Cerca de 18% das emissões provêm do desmatamento para a criação de pastagens, do transporte da carne, do processamento industrial do alimento e do sistema digestivo dos bovinos. Há evidências de que a destruição da floresta está associada ao ciclo da produção da carne bovina. Segundo especialistas, para destruir a floresta basta almoçar. João Meirelles do Instituto Peabiru afirma: "Na hora em que o garfo bate na boca, você está destruindo a floresta. De cada três bifes consumidos um vem da Amazônia e quem os consome são tanto os moradores da região (cerca de 10%) como os brasileiros de outras regiões (cerca de 80%)". A substituição das florestas por pastos contribui ainda para o aquecimento global. Um estudo feito pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) mostra que o desmatamento segue a flutuação do mercado de commodities, especialmente carne e soja. A queda do preço nos últimos anos teria ajudado a controlar a derrubada nos últimos três anos. Da mesma forma, a recuperação do mercado teria impulsionado a retomada do desmate. O avanço do desmatamento na Amazônia segue uma lógica. Segundo Tatiana de Carvalho a pecuária vai na frente, coloca um, dois bois a cada dois hectares e, uma vez que a propriedade é estabelecida, o seu dono já vende a posse para um agricultor. Têm-se aí o ciclo do desmatamento. Na opinião do biólogo Sérgio Greif, a carne é responsável por grande impacto ambiental. Segundo ele, "áreas naturais (florestas, matas, cerrados, campinas etc.) precisam ser devastadas para a abertura de pastos. Muitas pessoas associam a devastação nas florestas tropicais ao corte de madeira. Na verdade, a contribuição das madeireiras para essa devastação nem se compara à devastação causada pela pecuária, pois as madeireiras selecionam apenas as árvores que interessam para o corte. Já o pecuarista precisa se livrar das árvores indiscriminadamente", diz ele. "O nosso consumo de carne é um risco para a estabilidade do clima", afirma Jeremy Rifkin. Segundo ele, "a primeira causa do incremento humano do efeito estufa é devida ao setor das construções, isto é, casas e escritórios. A terceira são os transportes. Sabe qual é a segunda? O complexo da produção necessária para sustentar aquela gigantesca máquina poluente constituída pela pecuária: os nossos consumos de carne são o segundo fator de risco para a estabilidade do clima", afirma. Segundo Rifkin, 24% da superfície terrestre é ocupada por bovinos que contribuem para o acelerado desmatamento e consome uma quantidade de cereais suficiente para matar a fome de centenas de milhões de pessoas". O pesquisador americano destaca que "no decurso da própria vida, o americano médio come sete novilhos de seiscentos quilos. Chegou agora o momento de reconsiderar o estilo alimentar". A produção de um único quilo de carne bovina demanda o gasto de 15 quilos de grãos e 30 quilos de forragem. Por último, mas não menos importante, há a questão da flatulência. O principal gás expelido pelos extensos rebanhos mundiais é o metano — um dos principais responsáveis pelo efeito estufa. Logo, os hábitos alimentares modernos — calcados numa dieta muito rica em carne vermelha — têm um impacto significativo no aquecimento do planeta. É o que revela um estudo realizado por especialistas da Agência de Impacto Ambiental da Holanda. O estudo afirma que se a população mundial passar a seguir uma dieta pobre em carne vermelha – a chamada dieta do clima – definida como 70 gramas de carne bovina e 325 gramas de frango e ovos por semana – cerca de 15 milhões de quilômetros quadrados de área ocupada pela criação de animais seria liberada para vegetação. As emissões de gases do efeito estufa seriam reduzidas em 10% com a queda do número de animais. Juntos, esses impactos reduziriam em 50% os custos do combate às mudanças climáticas em 2050. É a partir da reflexão anterior que cresce em todo o mundo a Campanha Segunda-feira sem carne. A Campanha ficou conhecida no mundo por ser uma das bandeiras levantadas pelo ex-Beatle Paul McCartney. Conhecido por defender o vegetarianismo como uma das formas de amenizarmos as consequencias do aquecimento global. Slow food. Alimento bom, limpo e justo Outro movimento que questiona os padrões de industrialização da alimentação que requerem muita energia e pressionam os recursos naturais é o movimento slow food. Comer com prazer, defender tradições e a agricultura regional, proteger a biodiversidade. São alguns princípios de um movimento que surgiu na Itália, na década de 80, e ganha cada vez mais adeptos em todo mo mundo. O fundador do movimento, o italiano Carlo Petrini, afirma que "estamos vivendo tempos muito difíceis" e que "é necessário redefinir todo o sistema atual, baseado no consumo". Afirma que "o bom, o limpo e o justo são os três adjetivos que definem em modo elementar as características que deve ter um alimento hoje". Carlo Petrini é o criador da rede Terra Madre, do movimento Slow Food – "uma aliança planetária por um melhor sistema do alimento, mais humano e sustentável: um sujeito novo, que conjuga ética e prazer, política e beleza". As comunidades da rede Terra Madre – agricultores e cidadãos do Norte e do Sul do mundo – produzem e consomem alimento sem superexplorar os recursos, mantêm viva a sua própria cultura alimentar, usam energias renováveis, combatem o desperdício e se empenham em comportamentos virtuosos nos seus próprios territórios. A radical re-educação alimentar, com um menor consumo de carne e uma redução dos desperdícios, associadas a novas fontes renováveis de energia, podem dar uma chance ao mundo. É o que pensam Carlo Petrini e Jeremy Rifkin num memorárel diálogo. Petrini comenta acerca da revolução verde sob hegemonia da indústria: "O verdadeiro problema é que, de um lado, há uma visão centralizada da agricultura, feita de monoculturas e criações intensivas altamente insustentáveis, e, de outro, foi completamente rejeitada a lógica holística, que deveria ser inata à agricultura, para se unir a lógicas mecanicistas e reducionistas. Uma visão mecanicista acaba reduzindo o valor dos alimentos a uma mera commodity, uma simples mercadoria. É por isso que, no que se refere aos alimentos, já quase perdemos a percepção da diferença entre valor e preço: todos prestamos muita atenção a quanto ele custa, mas não mais ao seu significado profundo. Além disso, com esse sistema, reduzimos os agricultores em todos os cantos do mundo ao desespero. Não se pode seguir em frente desse modo. É preciso mudar de paradigma". "É interessante o que você diz Carlo (...) – dialoga Rifkin – "nós produzimos o nosso alimento em um sistema energético muito centralizado, com uma grandíssima dissipação de energias fósseis. Essas energias são concentradas e distribuídas do centro para a periferia. A sua exploração pressupõe uma alta intensidade de capitais, que determina uma organização verticalista. Vivemos em um regime energético dentre os mais patriarcalistas e centralizadores da história. Você tem razão, a agricultura, por sua natureza, não é centralizada. Ao invés disso, buscou-se transformá-la para torná-la compatível com esse regime energético: criou-se a 'agroindústria', e a divorciamos completamente da natureza, quase como se o meio ambiente fosse o inimigo". O slow food está entre as iniciativas que questionam a idéia do progresso ilimitado e linear, assentada sobre uma visão ilimitada dos recursos naturais. "A situação impõe bem mais do que uma simples mudança de rota: impõe uma radical mudança de mentalidade, um pensamento mais complexo, mas humildade e sensos de responsabilidade diante do ambiente, dos ecossistemas, da Terra Mãe. Violar os limites de regeneração da natureza significa agravar a escassez dos recursos", diz Petrini. Agroecologia De um lado as grandes corporações do mundo que produzem com agroquímicos e sementes genéticamente modificadas – transgênicas. Do outro lado, o movimento da agroecologia em defesa de uma agricultura saudável, sem agrotóxicos, com respeito à biodiversidade e resgate das tradições dos camponeses. No contexto do slow food, a agroecologia se dissemina nos continentes latino-americano, africano e asiático em contraponto ao agronegócio. É na esteira do resgate de uma agricultura que preserve o conhecimento popular e a natureza que surgiram em todo o Brasil as feiras de sementes crioulas e concomitante a elas as jornadas da agroecologia – já em sua nona edição. Essas iniciativas têm fortalecido o conceito de agroecologia que como explica José Maria Tardin: "resgata o conhecimento tradicional das populações indígenas e camponesas (...) trazendo de volta a recriação de territórios indígenas e camponeses, de territórios livres no sentido plano, de autonomia tecnológica, de conhecimento, de geração de saberes, de uma nova cultura que contribua para que a humanidade corrija o seu grande desvio, detectado na agricultura do agronegócio, com transgênicos, o monocultivo em larga escala, o problema dos agrotóxicos cada vez mais potentes e ameaçadores à saúde e a natureza. Esse é o campo da mudança mais radical que a agroecologia aponta para o mundo camponês e a sociedade em geral", diz o militante da Via Campesina. Uma das iniciativas mais interessantes no interior da agroecologia é o resgate das sementes crioulas. "A utilização das sementes crioulas visa exatamente ao resgate e ao aumento na utilização da biodiversidade local frente ao processo da agricultura moderna", afirma o agrônomo do Embrapa, Gilberto Antonio Bevilaqua em entrevista a revista IHU On-Line. Apesar de as sementes crioulas ainda serem pouco utilizadas na agricultura expansiva, elas "possuem grande potencial para o desenvolvimento de novas cultivares adaptadas a sistemas de produção com baixa utilização de insumos e poupadoras de recursos naturais". "A conservação das sementes crioulas faz parte de uma campanha mundial de soberania dos povos quanto à posse de suas sementes, como estratégia de segurança nacional", afirma o pesquisador. Ecoblogueiros... Transformar o mundo pela atitude Vivem sem dinheiro. Sem eletricidade. Sem carro. Reduzem o seu impacto ambiental ao mínimo... e querem transformar o mundo. Podem parecer bichos raros, mas os blogs onde compartilham suas experiências têm milhares de seguidores. Assim são os ecoblogueiros, ou também os The Moneyless Man, como o nome diz, são aqueles que optam em viver de forma simples, sem dinheiro e se transformam em ativistas em defesa ao meio ambiente. O que une os blogueiros é a luta contra a mudança climática mediante uma vida extrema. E sua forma de narrá-la. Um dos pioneiros em renunciar ao luxo ocidental e narrá-lo na internet foi, em 2006, Colin Beavan, um escritor nova-iorquino que hoje é conhecido como No Impact Man. Durante 365 dias, junto com sua mulher e a pequena Isabella, reduziu ao mínimo o seu impacto. Dispensaram a eletricidade (lavadora, televisão, elevador) e passaram a usar velas. Nada de andar de metrô ou de ônibus: caminhar! Comer só produtos produzidos a menos de 250 quilômetros. A revista Time incluiu o blog no topo de 15 sítios ecologistas. Beavan publicou um livro (em papel reciclado). Inspirado nele, um homem do outro lado do Atlântico o imita inclusive no nome: Low Impact Man ("o homem de baixo impacto"). Steven Vromman (Gante, 1961), assessor ambiental, se deu conta de que "explicava aos outros como salvar o planeta, mas não o aplicava". Pensou em Adam e Marieke, seus filhos; no mundo que iria deixar para eles. "Me perguntei: e se eu fizer todo o possível para não poluir?". Renunciou ao carro (viaja em sua bicicleta dobrável) e à calefação. Mesmo que tenha isolado seu loft, no inverno a temperatura não passa dos 15 graus. "Basta colocar mais roupa. Teria sido pior na Rússia!", argumenta. Para a água, recolhe a chuva com um tambor debaixo de seu telhado. Toma banho em uma bacia. Assim gasta 14 litros de água por dia, a décima parte que qualquer belga. Estes ecoblogueiros acreditam que é possível mudar as coisas. Não parece uma moda passageira. Um deles afirma: "As pessoas necessitam de exemplos a seguir. Virá o dia em que o que fazemos hoje será tão normal que ninguém mais vai prestar atenção em nós". 'Viver Bem'. Uma concepção diferente de vida Na luta contra a destruição do planeta e no debate sobre como preservar o que resta, redescobrimos os povos indígenas. Hoje realizamos dezenas de campanhas – como as analisadas aqui – para motivar as pessoas a consumirem menos e colocarem menos pressão sobre os recursos naturais. Os povos indígenas não precisam nada disso. Os povos indígenas nos ensinam que o conceito de sustentabilidade está vinculado a outra lógica, ao não crescimento, ao respeito e preservação da biodiversidade. Nos últimos anos, diversos países latino-americanos, como Equador e Bolívia, vem incorporando nas suas constituições, o conceito do bem-viver, que nas línguas dos povos originários soa como Sumak Kawsay (quíchua), Suma Qamaña (aimará), Teko Porã (guarani). Para alguns sociólogos e pesquisadores temos aí uma das grandes novidades no início do século XXI. Redescobre-se agora um conceito milenar: O 'Viver Bem'. "A expressão Viver Bem, própria dos povos indígenas da Bolívia, significa, em primeiro lugar 'viver bem entre nós'. Trata-se de uma convivência comunitária intercultural e sem assimetrias de poder (...) É um modo de viver sendo e sentindo-se parte da comunidade, com sua proteção e em harmonia com a natureza (...) diferenciando-se do 'viver melhor' ocidental, que é individualista e que se faz geralmente a expensas dos outros e, além disso, em contraponto à natureza", escreve Isabel Rauber, pensadora latino-americana, estudiosa dos processos de construção do poder popular em indo-afro-latinoamérica. De acordo com David Choquehuanca, o Viver Bem é um processo que está apenas começando e que pouco a pouco irá se massificando: "Para os que pertencem à cultura da vida, o mais importante não é o dinheiro nem o ouro, nem o ser humano, porque ele está em último lugar. O mais importante são os rios, o ar, as montanhas, as estrelas, as formigas, as borboletas (...) O ser humano está em último lugar, para nós o mais importante é a vida". Fernando Huanacuni, uma das principais referências intelectuais dos aymara na Bolívia, sustenta que a base do processo de mudança no país está na retomada de culturas originárias. "Quando falamos de comunidade, não falamos só de humanos. Comunidade é tudo: animais, plantas, pedras", diz ele. O indígena não critica apenas o utilitarismo do capitalismo, mas critica também o utilitarismo do marxismo: "O marxista quer, tem somente um pensamento material. Nós preferimos não explorar porque é importante para o equilíbrio da vida. Mas o marxista não pensa assim. Para mudar o sentido de um rio, o marxista vai colocar tratores e pronto. O indígena vai dizer 'não, calma, espera, vamos pedir permissão para os nossos ancestrais e vejamos se é bom'. O marxista vai dizer 'claro que é bom, aqui vamos produzir'. Ele não vê importância no espiritual, não o sente. Por isso ainda não está entendendo". O "nosso modelo não é comunista, mas comunitário'', diz ele. O líder yanomami Davi Kopenawa diz que "o homem branco stá enlouquecido com a terra, sempre quer tirar mais e mais para que a cidade cresça. Só pensa no solo: petróleo, ouro, minerais, estradas, carros, trens". Interpela o líder indígena: "Vocês falam em resgate: cortaram a floresta e, agora, para resgatar é difícil e já está tarde. Tem de resgatar antes de destruir. O homem da cidade não gosta da natureza, dos animais, das árvores. Ele só gosta de derrubar e fazer plantação de capim. Quem come capim? O boi. O homem branco é capitalista, pensa só no dinheiro e em derrubar as árvores, matar animais", diz ele. O Bem-Viver nos convida a "sair da dicotomia entre ser humano e natureza", diz Katu Arkonada, pesquisador e analista do Centro de Estudos Aplicados aos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais – Ceadesc, da Bolívia. Ou seja: "despertar para uma consciência de que somos filhos da Mãe Terra, da Pachamama, e tomar consciência de que somos parte dela, de que dela viemos e com ela nos complementamos". É um estilo de vida que nos ensina "não a viver melhor, mas sim a viver bem com menos", resume. Resistência aos megaprojetos Do conjunto de iniciativas que se somam à luta por uma sociedade sustentável – aquela que satisfaz suas necessidades sem diminuir as perspectivas das gerações futuras – e na esteira das campanhas 10:10:10, Tempo para a Criação e 350.org destaca-se a resistência aos megaprojetos que agridem o meio ambiente como as lutas dos povos amazônicos, indígenas, ribeirinhos, pequenos agricultores, seringueiros, pescadores contra hidrelétricas que estão em fase de construção ou anunciadas nos rios Madeira, Xingu, Tapajós, Teles Pires. Esses projetos são economicamente, socialmente e ambientalmente devastadores e claramente favorecem grandes grupos exportadores de commodities. O Brasil em vez de assumir a vanguarda no processo de descarbonização da economia investe em matrizes superadas – grandes hidrelétricas como as do Rio Madeira e de Belo Monte. Essas grandes obras implicam em grandes inundações de terras, em significativos deslocamentos de pessoas e em devastação ambiental gigantescas. Essa é também a lógica subjacente aos agrocombustíveis – que pressionam o bioma amazonico – e utilizam grandes extensões de terra, produção em larga escala, avançando sobre terras agricultáveis e voltadas para suprir preferencialmente o mercado externo. A novidade que essas lutas anunciam e que não se colocava com força na conjuntura da década de 80, é que qualquer projeto radicalmente alternativo de sociedade não pode desconsiderar a questão ecológica. A questão ambiental revela-se um tema cada vez mais central. Emerge com intensidade crescente a consciência de que há uma relação vital entre a saga da vida, em especial, da vida humana na Terra e a própria sobrevivência do Planeta. No Brasil infelizmente a temática ambiental ficou relegada e subordinada à agenda econômica. Pior ainda, a uma agenda dependente de um padrão de desenvolvimento fordista. Embora a questão ecológica esteja no centro da crise civilizacional e diga respeito ao futuro da humanidade – a de que fazemos parte de uma comunidade humana que tem um destino comum, poucos levam a sério as advertências de que avançamos o sinal e de que se faz necessário um pacto urgente e uma radical moratória de não agressão ao meio ambiente. Concluímos esta conjuntura da semana com uma pergunta-convite: o que você pode fazer para contribuir com a campanha em sua casa, em seu bairro ou em sua cidade? Conjuntura da Semana em frases Nunca visto "Sou o mais antigo político brasileiro. Assisti a tudo passar, mas nunca vi um presidente como Lula" – José Sarney, presidente do Senado – Folha de S. Paulo, 22-09-2010. Comedor de capitalismo Há dez anos eu passava aqui na porta, as pessoas tremiam de medo. 'Onde vai o comedor de capitalismo?' E exatamente esse comedor de capitalismo deixa a Presidência da República depois de oito anos como o presidente que participou de forma honrosa do momento mais auspicioso do capitalismo mundial" – Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República – Rede Brasil Atual, 24-09-2010. Chique "Não tem uma revista estrangeira que não tenha capa elogiando a economia, a agricultura e o governo brasileiro" – presidente Lula - Folha de S. Paulo, 22-09-2010. "Seja francesa, inglesa, italiana, alemã. Eu não entendo nada do que está escrito. É só palavra chique e eu acho bonito. Agora, daqui eu entendo tudo e percebo como tem às vezes má-fé" – presidente Lula - Folha de S. Paulo, 22-09-2010. Continuísmo "Não é lulismo, é continuísmo onde está bem. No Executivo, o eleitor não quer arriscar. No caso do Congresso, não há petismo, há governismo" — Carlos Augusto Montenegro, presidente do Ibope – O Globo, 28-09-2010. Dez famílias "A verdade é que nós temos nove ou dez famílias que dominam toda a comunicação do País. A verdade é essa. A verdade é que você viaja pelo Brasil e você tem duas ou três famílias que são donas dos canais de televisão. E os mesmos são donos das rádios e os mesmos são donos dos jornais" – presidente Lula – O Estado de S. Paulo, 24-09-2010. Casa grande "É, de fato, muito difícil para a casa grande, particularmente para seus áulicos, admitir que a senzala se moveu e que não se sabe onde isso pode parar. Isso explica a raiva destilada em tantos textos de iluminados e donos da verdade..." – Gilberto Carvalho, chefe de gabinete da Presidência da República – Folha de S. Paulo, 26-09-2010. Terceira via "Sou a terceira via que o eleitor está buscando. O eleitor compreendeu que a Dilma e o Serra são muito parecidos, que as alianças que eles têm são mais do mesmo. Há uma repetição quase neurótica do discurso político, sem nada de novo" – Marina Silva, candidata à presidência da República – PV – O Globo, 26-09-2010. Costas "Político sem mandato, nem vento bate nas costas" – presidente Lula – O Globo, 26-09-2010. Sala ao lado 'A corrupção bateu na sala ao lado [de Dilma]. Ou você é conivente ou você é incompetente. Você vai ter que escolher muita gente. Você vai escolher outras "Erenices"?' - Plínio de Arruda Sampaio, candidato à presidência da República – PSOL – Folha de S. Paulo, 27-09-2010. 'Você foge!" 'Marina, em questão fácil você é decidida, em questão difícil você diz: "Plebiscito!". Eu rotulo: você foge!'- Plínio de Arruda Sampaio, candidato à presidência da República – PSOL – Folha de S. Paulo, 27-09-2010. Alerta final "José Serra resolveu botar o dedo na ferida: "Quem vai assumir as funções de dona Marisa Letícia no governo se Dilma Rousseff vencer as eleições?" – Tutty Vasques, humorista – O Estado de S. Paulo, 28-09-2010. Nosso Lar "E o projeto da Dilma só tem um ponto: o ponto eletrônico. Rarará! E insiste naquele modelo branco "Nosso Lar"!" - José Simão, humorista – Folha de S. Paulo, 28-09-2010. Meu pai... pai "Meu pai é tão rebelde que, à vezes, eu me sinto Dorival Jr. orientando Neymar. Com uma diferença: ele pode não me ouvir, mas nunca vai me demitir!" - Plínio de Arruda Sampaio Jr., filho de quem o nome diz, para o deputado Chico Alencar – O Globo, 28-09-2010. Amor "Essa é uma declaração de amor. Vi meu marido sofrer e não poderia deixar ele passar por essa humilhação" – Weslian, esposa de Joaquim Roriz, indicada por ele para candidata ao governo do DF, dizendo que "Nossa Senhora e o menino Jesus" vão lhe ajudar a governar – Folha de S. Paulo, 25-09-2010. "Se ela me convidar, é claro que eu vou para o governo. Mas quem vai governar é ela" – Joaquim Roriz, ao indicar Weslian, sua esposa, como candidata ao governo do DF – Folha de S. Paulo, 25-09-2010. Voluntária "Tenho sido olhada como um verdadeiro ser extraterrestre ao expor que espontaneamente, há anos, me ofereço à Justiça Eleitoral para trabalhar como mesária. Os comentários vão do descrédito ao sarcasmo e não escondem a completa incredulidade. O argumento de que não basta criticar, mas é preciso participar, não parece suficiente para conter o espanto generalizado" – Susana Espíndola, jornalista – Zero Hora, 26-09-2010. Neymar "Chama a atenção como tantos exigem punir um moleque que foi petulante e desrespeitoso, mas que não cometeu nenhum crime. Muitos que, no dia 3, votarão em candidatos de larga folha de maus serviços prestados ao país" – Juca Kfouri, jornalista – Folha de S. Paulo, 26-09-2010. Plebiscito "Com a Marina tudo termina em plebiscito. ""O que você acha do casamento gay?" "Tem que ter plebiscito!" "E o aborto?" "Tem que ter plebiscito." "E as drogas?" "Plebiscito!" Então plebiscito pra saber como tá a maquiagem dela. Pior que tá não fica!" - José Simão, humorista - Folha de S. Paulo, 24-09-2010. "Então quem deve ir pro segundo turno é o Plínio! Mas não esquece o agasalho!" - José Simão, humorista - Folha de S. Paulo, 24-09-2010. Pra não sair de casa "O Dia Mundial Sem Carro só vai dar certo nas grandes cidades brasileiras quando transformarem a data em feriado nacional. Do jeito que foi ontem, francamente, vão acabar desmoralizando a efeméride" – Tutty Vasques, humorista – O Estado de S. Paulo, 23-09-2010. Tuitadas da semana TelmaMonteiro #perolas "O Brasil é o país do mundo que produz a energia mais limpa" Lula hoje inaugurando 8 usinas termelétricas a biomassa de cana em SP emirsader Todo poder tem que ter limites, diz a FSP. E quem impõe limites ao poder da midia privada? pgraziola O século XX foi aquele que mais investiu efetivamente nas crianças, mas também aquele em que elas mais tempo passaram separadas das famílias bqeg Plinio é o candidato mais bem preparado. Ele nasceu há 10 mil anos atrás e não tem nada nesse mundo que ele não saiba demais. stefanietelles Hj entrevistei uma senhora de 105 anos que precisa colocar galochas pra enfrentar o esgoto até chegar a latrina, nos fundos de casa. palmeriodoria A chamada grande imprensa desnudou-se nesta campanha. E, como garante um de seus arautos, toda nudez será castigada. LeonardoBoff Voto em Marina por sua causa. Mas não podia deixar passar a guerra que a midia comercial move contra o projeto de Lula que é tambem de Marina. louisevon RT @lukissima Apesar de termos 2 mulheres disputando a presidência da república, o candidato mais feminista é um católico de 80 anos. leandralima Assistindo à coletiva do Roriz ao vivo na internet. Que minha chefe não me pegue vendo sacanagem no trabalho. Cardoso eu paro de ler o livro no iPad, marco com a fitinha. abro no iPhone, está marcado onde deixei. Oh Glória! tuliovianna Genial esta fonte que passou a notícia falsa da morte do Tuma numa sexta à noite! Trollagem do ano! lulafalcao Tuma morreu, mas passa bem. MercioGomes Entre os velhos brizolistas, a esperança é de que Dilma tenha se mantido brizolista; ou ao menos darcysista redebrasilatual #Marina na #CNBB agradece. "Foi um debate, não um embate" andretrig "Ao direito não basta levantar cerca para as ovelhas.É preciso gradear os lobos" (Min.Ayres Brittto, há pouco, no STF) #FichaLimpa marcusfaustini O mundo não cabe no twitter mas a vida segue o twitter revistabula 'A guerra é a maneira de Deus ensinar geografia aos americanos.' ( Ambrose Bierce) Fonte: WWW.ihu.unisinos.br, 29/09/10 CÁRITAS DIOCESANA CAXIAS DO SUL |
29 de set. de 2010
Conjuntura da Semana
21 de set. de 2010
Escola de Fé, Política e Trabalho 2010 - Sétima etapa
Foi durante o final de semana (18 e 19) véspera do feriado de 20 de setembro que aconteceu no Centro Diocesano de Formação Pastoral a sétima etapa da Escola de Fé, Política e Trabalho (sétima edição). Atividade coordenada pela Cáritas Diocesana de Caxias do Sul com o apoio do Instituto Humanitas Unisinos IHU.
O tema desta etapa foi 'Projetos políticos para o Brasil e o nivelamento programático dos partidos políticos' e contou com a assessoria do professor Dr. César Sanson CEPAT Centro de Estudos, Pesquisa e Apoio ao Trabalhador Curitiba PR.
A provocação inicial começou com o conhecido poema de Bertoltd Brecht - O Analfabeto Político, onde fomos convidados e refletir sobre a visão que temos hoje sobre a política, principalmente sobre a política partidária e em seguida a reflexão foi sobre o texto do escritor Rubem Alves - Sobre Política e Jardinagem - em que o autor afirma que 'de todas as vocações a política é a mais nobre' e 'de todas as profissões, a política é a mais vil' onde o autor coloca a necessidade de exercermos o nosso papel de agente político atendendo uma vocação capaz de realizar ações em favor do coletivo e não para atender desejos particulares (o meu jardim) e que a política não pode ser igual para todos, mas capaz de melhorar a condição de vida dos mais necessitados, com transparência, poder de argumentação e coragem desta forma evitando a corrupção ou minimizando ao máximo a sua presença.
Hoje no Brasil, segundo César Sanson temos basicamente dois partidos fortes (PT e PSDB) que vem monopolizando as eleições nos últimos 15 anos e que pouco os difere em temos programáticos e vários partidos periféricos sem muita consistência ideológica, alguns com alguma força apenas regional. Esta constatação faz com que a democracia ainda muita nova vivida pelo Brasil torne-se apenas uma democracia representativa e que não traz muita perspectiva de mudanças e que só com a participação maior dos movimentos sociais, entidades e organizações fará com que através de uma democracia participativa teremos conquistado uma democracia plena e construiremos a nossa história e atendida de fato às reivindicações da população.
A próxima etapa acontece nos dias 16 e 17 de Outubro com dois temas: 'Dignidade humana, bioética e biotecnologia. Atuação frente aos avanços da ciência e a necessidade de respeitar critérios éticos de prioridade à vida' com o assessor professor Dr. José Roque Junges Unisinos e 'Bíblia: Projeto de uma sociedade sem exclusão' com o assessor professor Dr. Pedro Kramer - Estef
13 de set. de 2010
Participe da coleta de assinaturas!
Pelo direito ao trabalho associado e a uma Economia Solidária! Cada dia cresce mais a quantidade de pessoas no Brasil que decidem se unir para praticar a Economia Solidária, em contraposição ao atual modelo econômico baseado na competição e na acumulação do capital por poucas corporações. Estas pessoas encontram, entretanto, enormes dificuldades de viver da Economia Solidária, ainda mais se comparamos às empresas convencionais. Isso acontece por não haver um reconhecimento, do Estado Brasileiro, do direito ao trabalho associado e a formas organizativas baseadas na Economia Solidária. Um passo fundamental para este reconhecimento é a criação de uma proposta de Lei que cria a Política Nacional de Economia Solidária, além do Sistema e o Fundo Nacionais de Economia Solidária. Por isso, o Conselho Nacional de Economia Solidária, com participação de representantes de vários setores da sociedade civil e do governo, elaborou esta proposta de Lei. A sociedade civil tomou a iniciativa, então, de lançar a campanha de coleta de assinaturas para conseguirmos aprovar esta proposta como um Projeto de Lei de Iniciativa Popular. Precisamos de toda a mobilização possível em cada bairro, comunidade e cidade para conseguirmos a assinatura de 1% do eleitorado brasileiro, o que significa uma meta de aproximadamente um milhão e trezentas mil assinaturas! Participe da coleta de assinaturas! Só pode assinar quem é eleitora ou eleitor. E a assinatura só é válida se a pessoa inserir todos os dados: nome completo, endereço, título de eleitor, zona e seção eleitoral, além da assinatura ou impressão digital conforme consta no título de eleitor. Caso a pessoa não tenha em mãos o título de eleitor, pode escrever a lápis o nome da mãe para que o comitê local resgate no TSE o número do título. A página para conseguir o título de eleitor através do nome da mãe e data de nascimento é a seguinte: www.tse.gov.br/sadEleicaoConsultaLocal/aplic/consulta/consultaNome.jsp A meta de assinaturas por estado é de 1% do eleitoral. Para saber qual a meta do seu estado, veja a lista ao final desta página. Baixe o formulário para imprimir e coletar assinaturas aqui! Formulário de coleta de assinaturas: www.fbes.org.br/?option=com_docman&task=doc_download&gid=1130 Texto da Proposta de Lei: www.fbes.org.br/?option=com_docman&task=doc_download&gid=1131 Onde entregar Em Caxias do Sul os formulários podem ser entregues na Cáritas Diocesana, na rua Emílio Ataliba Finger, 685, bairro Colina Sorriso, fone: 54-3211-5032 – Caxias do Sul – RS. CÁRITAS DIOCESANA CAXIAS DO SUL |
25 de ago. de 2010
Conjuntura da Semana
Conjuntura da Semana: Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra A presente análise toma como referência a revista IHU On-Line – edição nº 339 – A propriedade da terra deve ser limitada? e as "Notícias do Dia" publicadas de 17 a 24 de agosto de 2010. A análise é elaborada, em fina sintonia com o Instituto Humanitas Unisinos - IHU, pelos colegas do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores - CEPAT - com sede em Curitiba, PR, parceiro estratégico do Instituto Humanitas Unisinos - IHU. Sumário: Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra Eis a análise. Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra Do que se trata? A democratização do acesso à terra no Brasil é a questão central e de fundo proposta pelo Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra, a ser realizado de 1 a 7 de setembro de 2010. A iniciativa vem para saldar uma das dívidas históricas da sociedade brasileira, a que diz respeito à reforma agrária. O Plebiscito faz parte de uma série de atividades e mobilizações articuladas pelo Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, que, desde 2000, lançou uma Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade da Terra. A Campanha se propõe a ser uma ação de conscientização e mobilização da sociedade brasileira para se incluir na Constituição Federal do Brasil um novo inciso (no artigo 186) que estabeleça claramente um limite às propriedades rurais em determinado número de módulos fiscais. Concomitantemente ao Plebiscito está ocorrendo uma campanha de coleta de assinaturas, que já circula em todos os Estados. O abaixo-assinado não se limita à Semana da Pátria podendo, portanto, ser realizado antes disso, o que efetivamente já vem ocorrendo. Para que o projeto seja analisado pelo Congresso Nacional, são necessárias cerca de 1,5 milhão de assinaturas. O Plebiscito está sendo desenvolvido e apoiado pelas 54 entidades nacionais que compõem o Fórum Nacional. Entre elas se encontram a CUT, a CNBB, o CONIC, a CONTAG, a Via Campesina, o MST, entre outras. Regional ou localmente, há uma infinidade de outras organizações articuladoras e apoiadoras. O apoio ao Plebiscito figurou entre as ações concretas propostas pela Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano, cujo tema central é Economia e Vida. A realização de Plebiscitos de iniciativa popular não é uma novidade no Brasil. Mesmo não tendo um valor jurídico legal, como aquele sobre o desarmamento, os plebiscitos populares gozam de forte valor simbólico, na medida em que alertam "a sociedade a respeito dessa grande questão nacional, que é a concentração agrária", como chama a atenção Gilberto Portes, secretário executivo do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo. Os Plebiscitos populares são momentos privilegiados de reflexão e debate sobre questões que dizem respeito à sociedade brasileira. O atual se insere no leito dos três plebiscitos de iniciativa popular anteriores: sobre a Dívida Externa, em 2000, sobre a ALCA, em 2002, e da Companhia Vale do Rio Doce, em 2007. E aproveita-se da experiência de organização adquirida ao longo desses anos. O curto prazo para a mobilização e a organização do Plebiscito, entretanto, pode comprometer o seu sucesso, razão pela qual se deve redobrar os esforços e iniciativas de todos, coletiva ou individualmente, no sentido de intensificar a campanha. As perguntas que estarão nas cédulas de votação são as seguintes: 1 - Você concorda que as grandes propriedades de terra no Brasil devem ter um limite máximo de tamanho? 2 - Você concorda que o limite das grandes propriedades de terra no Brasil possibilita aumentar a produção de alimentos saudáveis e melhorar as condições de vida no campo e na cidade? O Fórum propõe um limite de 35 módulos fiscais como área máxima que um proprietário possa ter em mãos. Os módulos fiscais "são áreas que o INCRA tem como mecanismo de estabelecer para cada agricultor ou pequeno camponês, para ele sobreviver com a família. Isso varia de região para região. No Sul, por exemplo, o módulo varia de 25 a 30 hectares, já no Norte vai até cem hectares, no Centro-Oeste varia de 30 a 35 hectares", especifica Gilberto Portes. Dessa maneira, o limite de 35 módulos fiscais significa uma variação entre 175 a 3.500 hectares. Vale destacar que todas as propriedades menores que 35 módulos fiscais não serão afetadas de jeito nenhum, caso o inciso seja aprovado pelo Congresso. Maiores informações, materiais e a folha para abaixo-assinado, podem ser obtidos e baixados no sítio do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, clicando aqui. A concentração da terra é um fenômeno histórico no Brasil Com vistas a contribuir para esse debate, o Instituto Humanitas Unisinos preparou uma Revista específica sobre o assunto e publicou entrevistas especiais e outras matérias ao longo dos últimos meses. A Revista IHU On-Line n. 339, de 16 de agosto passado, com o tema de capa A propriedade da terra deve ser limitada?, traz entrevistas com Martinho Lenz, Jacques Alfonsín, Fernando Gallardo Vieira Prioste, Sérgio Sauer e Zander Navarro. Um dos trunfos do plebiscito popular do limite da propriedade da terra consiste em "evidenciar a altíssima concentração fundiária no Brasil, chamando a atenção da sociedade para os problemas enfrentados pelo país em razão da concentração de terras", enfatiza Fernando Prioste, advogado e assessor jurídico da Terra de Direitos, Organização de Direitos Humanos com sede em Curitiba, no Paraná. "Nosso país é o segundo onde há maior concentração de terras no mundo, perdendo apenas para o Paraguai, onde, aliás, muitos brasileiros são proprietários. É importante destacar que 44% das terras disponíveis para agricultura e pecuária no Brasil estão nas mãos de apenas 1% do total de proprietários, cujas áreas têm extensão superior a 1000 hectares", exemplifica Fernando Prioste. São dados que causam a indignação em mais de um. Entretanto, a história da apropriação e concentração das terras em nosso país deita raízes no Brasil Colônia e desde então vem se intensificando até hoje. No começo, "as terras do Brasil passaram a ser bens da coroa que dava sesmarias de terras para o usufruto de donatários. Terras que se não fossem cultivadas pelos donatários dentro de certo prazo, retornavam para a coroa. Eram as chamadas 'terras devolutas…'. Tudo mudou com a Lei de Terras, de 1850, que (traduzindo para a lei a nova mentalidade capitalista) estabeleceu que a única forma legítima de adquirir uma terra era através de um ato de compra. Os ocupantes de terras encontraram formas de transformarem as posses em propriedades, imensas propriedades. O latifúndio brasileiro tem origem obscura, muito parecida com a legalização de um roubo", explica o sociólogo e sacerdote jesuíta Martinho Lenz. De acordo com o filósofo Sérgio Sauer, na segunda metade do século XX, com a implantação da chamada Revolução Verde no mundo e no Brasil, essa concentração fundiária se consolidou e se aprofundou. A partir de 1964, diz ele, "o atual modelo agropecuário foi implantado através do financiamento público (crédito farto e barato e isenção de impostos) das grandes propriedades, consolidando os latifúndios como base da produção monocultora de exportação. A incorporação de tecnologia – mais especificamente de insumos industriais e máquinas – tornou-se o modelo produtivo. Grandes extensões de terras, através de subsídios governamentais, capitalizaram-se e tornaram-se produtores de bens exportáveis, mas isso não resultou em desenvolvimento do campo. Este modelo – monocultor e exportador – aprofundou as históricas mazelas sociais e ambientais, sendo que a concentração da propriedade da terra produz famílias sem terra e pobreza no campo brasileiro". Em razão disso, como mostra o geógrafo Ariovaldo Umbelino, "o Brasil possui os maiores latifúndios que a humanidade já registrou, ou seja, não há limite para o tamanho de suas propriedades. É uma excrescência, do ponto de vista internacional, um país ter propriedades privadas que são maiores do que unidades federativas que possui, sem falar que algumas são ainda maiores do que muitos países existentes no mundo". E emenda: "quando analiso a questão agrária, na perspectiva da formação da propriedade privada da terra no Brasil, penso que ela [a questão fundiária] existe sim, ou seja, cerca de 1/5 das terras no Brasil foram cercadas por pessoas que não têm documentos hábeis legais para deter o controle dessa propriedade da terra. Isto quer dizer que uma parte dos que se dizem proprietários não são de fato proprietários. Além disso, há um grande número, que podemos classificar como posseiros, que, pela legislação brasileira, têm direito à legitimação dessa área que ocuparam e que, por direito, deveriam ter essa correção do ponto de vista da propriedade privada da terra no Brasil. Mas as médias e grandes propriedades não têm esse direito. Isso quer dizer que a questão fundiária não está resolvida". É justamente esta realidade que leva o Martinho Lenz a admitir que "o latifúndio brasileiro tem origem obscura, muito parecida com a legalização de um roubo", conforme visto acima. Umbelino detalha alguns elementos da concentração fundiária brasileira. "Nós temos no Brasil hoje, do ponto de vista das grandes propriedades, 120 milhões de hectares de grandes propriedades, as quais, no cadastro do Incra, já estão identificadas como improdutivas, ou seja, que não cumprem a sua função social. Qual é a obrigação constitucional do Incra? Desapropriá-las e destiná-las à Reforma Agrária, para que cumpram sua função social. Ao mesmo tempo, há, no Brasil, cerca de 250 milhões de hectares de terras apropriadas indevidamente". O reverso dessa história representa um capítulo de continuada e acentuada exclusão da posse e propriedade da terra de milhares de pessoas. "É inadmissível, que o Brasil – diz Sérgio Sauer –, praticamente um continente em termos de dimensões ou mesmo de área de terras disponíveis, tenha em torno de cinco milhões de famílias sem terra. Infelizmente, o Brasil é um dos países com o maior índice de desigualdade do mundo em relação à distribuição da renda e da propriedade da terra". E exemplifica com dados do Censo Agropecuário do IBGE, de 2006: "em um lado do espectro fundiário, quase 86% dos estabelecimentos com área de até 100 hectares possuem apenas 21% das terras. Na outra ponta, os estabelecimentos com áreas acima de mil hectares detêm quase a metade (44,42%) de todas as terras registradas. O IBGE não divulgou todos os dados obtidos. No entanto, sabe-se que menos de 0,5% dos estabelecimentos (mais ou menos 15 mil imóveis que possuem áreas acima de dois mil e quinhentos hectares) abarcam quase 40% do total das terras no Brasil. Em outras palavras, se considerarmos as áreas acima dos 3.500 hectares, a concentração fundiária é ainda maior". O mesmo Censo revela também a significativa participação dos agricultores familiares, esses que fazem parte da parcela dos que possuem menos de 20% das terras no Brasil. "Apesar de ocuparem uma parcela de terra relativamente pequena quando comparado ao número total de hectares e estabelecimento agropecuários, eles geram empregos e produzem recursos e riquezas acima do percentual das terras que ocupam. Esses agricultores mostram que a agricultura familiar possui uma boa efetividade econômica, no sentido não só da eficácia e da eficiência, mas de uma certa capacidade de, com seus recursos e mão-de-obra, gerarem valores bastante expressivos", mostra Sérgio Pereira Leite, em entrevista especial à IHU On-Line. A política fundiária brasileira, além disso, favoreceu historicamente a aquisição de enormes extensões de terras por estrangeiros, o que se agravou recentemente com a globalização, a expansão do agronegócio de exportação e de priorização de agrocombustíveis com vistas a alimentar o emergente e promissor mercado nacional e internacional, em um contexto de crise alimentar e energética. Portanto, como acreditam os organizadores do Plebiscito e todos os defensores da Reforma Agrária, estabelecer um limite máximo significa diminuir todas estas discrepâncias ou desigualdades no campo brasileiro. E, por essa razão, como diz Sérgio Pereira Leite, "a reforma agrária ainda hoje é necessária". Vantagens da limitação da propriedade da terra Num país com tamanha concentração de terras nas mãos de poucos, a limitação da propriedade da terra traria como primeira vantagem justamente a "democratização da terra". Mais pessoas teriam acesso à terra e poderiam dessa maneira garantir sua subsistência e vida. Além disso, reafirmaria o "direito de propriedade", negado a muitos através do latifúndio. Outro elemento que seria atendido é a diminuição da desigualdade social resultante das injustiças no campo. Sérgio Sauer também traça uma relação entre o limite da terra e o limite do poder político, para, dessa maneira, atacar o patrimonialismo, que ele define como "um 'sistema político' baseado na propriedade de bens, mais especificamente no caso brasileiro, na propriedade da terra". Em outro momento de sua entrevista, Sauer volta a atacar o patrimonialismo e de como está incrustado nas estruturas de poder até hoje: "A importância da terra não se reduz a um cálculo econômico (ou poder de compra), mas implica em relações de poder, o que historicamente é um dos principais fatores que impediram qualquer política de democratização do acesso à terra no Brasil. A partir dessa relação de poder (patrimonialismo) é que, historicamente, foram construídas as alianças que sempre governaram o país. Isto não é nada fácil de romper, pois novamente, não se trata apenas de entender que a democratização da propriedade fundiária resultaria em um desenvolvimento social com crescimento econômico. Apesar do discurso de que o Brasil é um país urbano e/ou industrial, a terra se mantém como um mecanismo central nos processos de dominação". De acordo com o advogado e procurador aposentado do Estado do Rio Grande do Sul Jacques Alfonsin, os pontos positivos proporcionados pela limitação da propriedade da terra seriam sociais, políticos e econômicos: "Sociais, porque facilitaria o acesso das pessoas pobres à terra, coisa que, de regra, somente acontece com quem, por já ser proprietário de terra, tem crédito facilitado, dinheiro e, consequentemente, poder de estender a sujeição do seu direito (!) a mais terra; políticas, porque o território do país, melhor partilhado e distribuído entre seus próprios filhos e filhas, teria mais chance de resistir à verdadeira desterritorialização que está sofrendo com o avanço das empresas transnacionais sobre ele, interessadas apenas na terra enquanto mercadoria; econômicas, porque a mudança do destino atualmente prioritário que nossa terra dá ao agronegócio exportador – que prefere mandar para fora daqui o fruto da terra que falta à grande parte do nosso povo – abriria maior possibilidade de um consumo de massa, acessível à maioria, ampliando a tendência atual de a propriedade familiar rural alimentar o povo". Além disso, uma limitação da propriedade da terra abriria espaço para uma Reforma Agrária. Os defensores da desta política defendem que a Reforma Agrária proporcionaria um "maior grau de justiça social e de desenvolvimento" e uma "diminuição da violência no campo". E, como lembra Martinho Lenz, "uma Reforma Agrária em moldes modernos implica em muito mais do que disponibilizar terras. Implica em um projeto agrário e agrícola, voltado ao fortalecimento da agricultura familiar, com uma política nacional (e internacional) de segurança alimentar e de produção de insumos, além de uma política de sustentabilidade social e ambiental. O limite da propriedade contribuiria para com um uso mais racional e adequado da terra por parte dos médios e grandes proprietários rurais". Sem contar que o latifúndio está ligado ao que há de mais atrasado e conservador em termos de relações de trabalho no Brasil. O trabalho escravo convive com o que há de mais moderno no capitalismo agrário brasileiro e resiste justamente por sua "tradição cultural" fortemente arraigada e seu patrimonialismo. Como ressalta Jacques Alfonsin, o latifúndio está ligado à "tradição cultural que ele impõe, especialmente ao povo pobre menos conscientizado, sobre a herança escravagista e opressora que marcou a sua implantação no nosso país. A senzala ainda remanesce hoje na forma do trabalho escravo, cuja abolição por sinal, projetada há quase uma década, está barrada no Congresso Nacional, justamente, por ter sido a política dos titulares dessa forma atrasada e cruel de concepção da terra e da gente da terra. Ninguém ignora o fato de que, onde predomina o latifúndio brasileiro, predomina também o atraso, o analfabetismo e a indigência de quantas pessoas nele trabalham ou dele dependem, direta ou indiretamente". Função social da propriedade Neste contexto, faz-se necessário recuperar a função social de toda propriedade, o que está garantido pela Constituição brasileira. Ariovaldo Umbelino lembra a forma especial de propriedade que é a terra. Diferentemente de um carro, por exemplo, a propriedade privada da terra não é uma "propriedade absoluta. Ou seja, está submetida ao seu uso produtivo e ao fato de essa produção seja feita respeitando as leis trabalhistas e as leis ambientais, e não se produza produtos interessando os tóxicos que estão definidos na Constituição como situação em que a propriedade não cumpriria a sua função social". O Ensino Social da Igreja sempre se esmerou – as vezes mais, às vezes menos radicalmente, conforme mostra Inácio Neutzling, em artigo de 1997 e disponível no sítio do IHU – em recordar os princípios básicos fundamentais para uma ética da propriedade. No referido texto, Inácio Neutzling insiste em que "para a Teologia Moral Social, a propriedade privada só se constitui legitimamente num direito quando: a.- a propriedade estiver subordinada ao direito de todos as pessoas humanas usarem todos os bens da criação b.- o direito à propriedade estiver delimitado pela 'hipoteca social' que delimita a legitimidade do direito, suas condições de exercício legítimo; c.- se a propriedade estiver subordinada ao direito e ao dever do trabalho". Em outro artigo, Martinho Lenz, após recordar os princípios básicos que fundamentam a propriedade – destinação universal dos bens, direito de propriedade (privada), função social de toda propriedade, direito à iniciativa econômica, função do Estado em relação à propriedade, entre outros – enfatiza que "na questão da terra, a lei pode impor um limite ao tamanho da área de terra que um único dono pode possuir, para que um maior número de pessoas possa ter acesso à terra como meio de vida (um objetivo da Reforma Agrária)". Lenz lembra que "o sentido original da propriedade individual era o de possibilitar a todos o acesso a um mínimo de bens necessários para a vida, um espaço de autonomia e de liberdade". Neste sentido, "a terra é um meio para gerar outros bens, necessários para a vida, não um fim si (não se pode 'possuir por possuir'). Sobre toda propriedade pesa uma hipoteca social. Ninguém tem o direito de acumular terras que faltam para garantir a vida e bem estar dos que trabalham na terra. A terra deve ter cuidada e preservada da degradação, para o bem das gerações presentes e futuras. Terras mal adquiridas e mal usadas devem retornar ao uso comum. Devem ser desapropriadas por interesse público", garante Lenz. Duas medidas importantes, mas limitadas Nas últimas semanas duas importantes medidas foram tomadas e que dizem respeito diretamente à questão fundiária brasileira. Nesta semana, o presidente Lula aprovou parecer da Advocacia-Geral da União que limita a compra de terras por estrangeiros. De acordo com a nova regra, além de autorização do Incra para adquirir imóveis rurais, as empresas comandadas pelo capital externo não podem comprar mais de 25% das terras de um município nem fazer aquisições para projetos agrícolas, pecuários e industriais se esses objetivos não estiverem nos estatutos das companhias. Assim, está proibida ainda a venda de terras de mais de 250 hectares a 5.000 hectares, dependendo do Estado. De acordo com mapa elaborado pelo Sistema Nacional de Cadastro Rural do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), as terras brasileiras compradas por estrangeiros já representam 4,3 milhões de hectares em 3.694 municípios. A cidade de Porto Alegre do Norte, no Mato Grosso, registra 13 propriedades estrangeiras que somam 790 quilômetros quadrados. No Mato Grosso do Sul, a cidade de Ribas do Rio Pardo, na região central, tem 51 mil hectares distribuídas em 18 fazendas. A medida é bem-vinda, mas chega com significativo atraso, uma vez que o texto da AGU é de 2008. Outra decisão de relativa transcendência vem do Conselho Nacional de Justiça (DNJ), que anulou, na semana passada, o registro de mais de 6 mil imóveis no interior do Pará. Diante de suspeitas de fraudes e até de grilagem de terras, o corregedor nacional de Justiça, Gilson Dipp, determinou o cancelamento dos registros e das matrículas desses imóveis. Foram atingidos pela decisão os imóveis com registro lançado a partir de 5 de outubro de 1988 com área superior a 2,5 mil hectares. Os imóveis com registro anterior tinham limites mais extensos. A medida tenta combater as grilagens de terras no Estado. Estudos realizados pelo Ministério de Política Fundiária e do Desenvolvimento Agrário apontam para mais de 100 milhões de hectares grilados no Brasil. Destes, cerca de trinta milhões se localizariam no estado do Pará. Ambas as decisões, são importantes. Entretanto, ainda são tímidas em relação à dívida social que o Estado tem para com o seu povo. O movimento social aguarda pela revisão dos índices de produtividade, por uma Reforma Agrária e pelo limite geral da propriedade da terra, questão esta impulsionada pelo plebiscito que acontecerá nesta Semana da Pátria. Limitar a propriedade da terra, uma "insanidade"? O limite da propriedade da terra e a reforma agrária, questões tão naturais, elementares e fundamentais, como vimos até aqui, não o são, entretanto, para outros. E aqui o contraponto a essas teses é feito, especialmente, pelo sociólogo rural Zander Navarro. Na sua opinião, é pouco provável que a sociedade atual concorde com a imposição de limitar o tamanho da propriedade da terra: "Na prática, esta decisão afastaria as possibilidades de expansão da agricultura mais produtiva e eficiente. Seria uma insanidade do que, suponho, a vasta maioria dos brasileiros discordará". Segundo ele, quem realmente defende a limitação da escala da atividade produtiva agropecuária no Brasil são apenas dois agrupamentos sociais, claramente identificáveis: "primeiramente, o MST e sua 'órbita política', o que inclui partidos de extrema-esquerda (como PSOL, PSTU e outros), além de seus aliados sociais, especialmente setores de estudantes universitários e uma parte (cada vez menor) do campo petista". E completa: "Em segundo lugar, há outro segmento, este sociologicamente mais curioso, formado pelos aderentes de um catolicismo relativamente radicalizado, que ainda evoca ideias da Teologia da Libertação, os quais se associam à utopia de um comunitarismo cristão, sonhador de coletivos rurais 'não integrados aos mercados', produzindo para a autossubsistência e voltados especialmente à sua própria coesão social". Navarro acredita que é quase impossível que a restrição do tamanho vingue algum dia, sobretudo por razões econômicas. "O Brasil é hoje o mais importante produtor e exportador da agricultura tropical, talvez o único que ainda ostenta potencial de crescimento significativo, o que o tornará ainda mais decisivo no comércio mundial de mercadorias agrícolas. Restrições à produção (como o limite de propriedade) significarão, ao final, perda de receitas extraordinárias, além de serem incongruentes com uma sociabilidade capitalista (exceto por aqueles imperativos ambientais citados). Preferirão os brasileiros descartar uma oportunidade única como esta, que assegurará um fluxo significativo e crescente de riquezas?", pergunta Navarro. A respeito da reforma agrária, pontua que não existe mais uma demanda social relevante que a torne necessária. Essa demanda, diz ele, "hoje restrita a pequenos bolsões e, desta forma, o futuro agrário brasileiro deve manter uma singular dualidade estrutural, se comparado com outros países de desenvolvimento econômico capitalista mais avançado". Em entrevista especial anterior à IHU On-Line, Zander Navarro discorre mais detalhadamente sobre as razões críticas sobre a reforma agrária. Nela deixa claro que não é contra a Reforma Agrária, mas contra a forma como sua política é conduzida hoje. "O que se modificou, com o passar do tempo, é que hoje temos um mundo especialmente urbano e grande parte das economias se tornaram mais diversificadas, com a presença de setores de serviços e indústrias. Isso fez com que a temática agrária e agrícola fosse para um segundo plano, ou seja, temos, essencialmente, processos de urbanização que tiram a Reforma Agrária da agenda", opina. Navarro espeta parte dos cientistas e o movimento social dizendo que tem uma visão "idílica" da Reforma Agrária. "Traz uma visão romantizada do que é uma atividade rural, uma atividade extremamente penosa, desgastante, que embrutece as pessoas. Portanto, uma ideia de Reforma Agrária que supõe que famílias pobres, principalmente aquelas que vivem em áreas periféricas das cidades, tenham algum interesse de voltar para o meio rural é uma fantasia, ou seja, não existe em qualquer lugar do mundo", desafia. O sociólogo defende não ser necessária uma Reforma Agrária nacional. Entretanto, acredita que uma Reforma Agrária regional faz sentido e contribuiria para "a modernização social e política das relações sociais", ali onde um segmento social de grandes proprietários de terras são relativamente mais atrasados do ponto de vista tecnológico e político. Zander Navarro acredita que o Brasil terá uma "estrutura dual da propriedade da terra", tendo, de um lado, o agronegócio, e de outro, a agricultura familiar. Contudo, deixa claro que não é incondicionalmente favorável à grande propriedade. Critica a grande propriedade empresarial que "não respeita os direitos trabalhistas" e o impacto ambiental que provocam. Limite da luta pelo limite da propriedade – as propriedade imateriais Em toda a análise até aqui desenvolvida, transparece a simpatia pela pertinência da luta pelo limite da propriedade da terra. É inegável que, mesmo adentrados no século XXI, o nosso Estado ainda tem uma dívida social histórica, que vem do Brasil Colônia até hoje. Trata-se, pois, de uma luta legítima. Entretanto, mais de uma vez já nos referimos ao fato de que estamos transpondo os limiares de uma nova revolução em que a propriedade material cede importância em termos de valor às propriedades imateriais. Não que aquelas desapareçam, mas são cada vez mais compreendidas à luz destas. Ganham importância os bens imateriais, isto é, a informação, o conhecimento, as marcas, os símbolos, as patentes... As propriedades imateriais envolvem os transgênicos, as nanotecnologias, as patentes... E contra a privatização do conhecimento se insurgem os movimentos do software livre. E essas são arenas desamparadas (incompreendidas!) pelos movimentos sociais. Neste sentido, talvez de forma provocativa, seja verdade que a Reforma Agrária seja uma bandeira da metade do século passado, como defende Zander Navarro. Acreditamos que, por mais que a luta pelo limite da propriedade da terra seja legítima e necessária, não pode ofuscar a, talvez, urgente luta pela defesa do acesso aos bens imateriais em consonância com a revolução informacional ou do conhecimento, onde se jogará o destino de milhares de pessoas. Eleição selada "O Datafolha de hoje, com Dilma Rousseff abrindo 17 pontos de vantagem sobre José Serra, indica que o destino da eleição presidencial está praticamente selado. A não ser em caso de uma reviravolta brusca e muito" – Fernando de Barros e Silva, jornalista – Folha de S. Paulo, 21-08-2010. Catástrofe natural "Daqui em diante, a crise na oposição tende a ganhar dimensões de catástrofe natural. Haverá a aceleração previsível da debandada e movimentos de adesão ao transatlântico de Dilma. Novos amigos se somarão às ratazanas da fisiologia, em boa medida já na embarcação governista, à espera da "partilha do pão", como diria Michel Temer" – Fernando de Barros e Silva, jornalista – Folha de S. Paulo, 21-08-2010. Evolução "É uma evolução. Em 2002, o Serra colocou a Regina Duarte no ar dizendo que tinha medo do Lula" — José Eduardo Dutra, presidente do PT, sobre o uso de imagens do presidente Lula no programa de TV do PSDB – O Globo, 21-08-2010. Gratidão "O setor de infraestrutura está grato ao governo Lula" - Newton Azevedo, vice-presidente da Foz do Brasil, empresa de saneamento da Odebrecht – Valor, 24-08-2010. Skaf e Lula "Em 2002, um dos poucos empresários que o (Lula) apoiaram fui eu. Creio que, da mesma forma, em 2004, na minha eleição na Fiesp, ele torceu por mim. Hoje, o meu relacionamento com ele continua muito bom" – Paulo Skaf, ex-presidente da FIESP, candidado PSB ao governo de São Paulo – O Globo, 21-08-2010. Barriga de aluguel "O PT já articula a formação de um novo partido que apoiaria Dilma Rousseff (PT) no caso de ela ganhar a eleição para a Presidência. A legenda abrigaria parlamentares do PSDB, do PPS e até do DEM dispostos a fazer uma transição lenta, gradual e segura rumo aos braços governistas. Já há conversas entabuladas" – Sônia Racy, jornalista – Folha de S. Paulo, 24-08-2010. Mundo novo "Para que a nova agremiação tenha sucesso será preciso mudar a lei, que impede que um parlamentar eleito por um partido troque de legenda -hoje, se isso ocorre, o político perde o mandato" – Sônia Racy, jornalista – Folha de S. Paulo, 24-08-2010. A luta pelo poder "À medida que a candidatura de Dilma Rousseff cresce nas pesquisas, maior é o ciúme entre os petistas. Integrantes da principal tendência, a Construindo um Novo Brasil, são os mais ressentidos. O presidente do PT, José Eduardo Dutra, é seu único representante no comando. Esses petistas estão inconsoláveis com a influência dos deputados Antônio Palocci e José Eduardo Cardozo" – Ilimar Franco, jornalista – O Globo, 22-08-2010. Em todas "O ex-ministro Antonio Palocci Filho é peça coringa nos desenhos feitos pelo PT para um eventual governo de Dilma Rousseff (PT). Num deles, o ex-ministro da Fazenda ocuparia a presidência da Vale" - Mônica Bergamo, jornalista - Folha de S. Paulo, 20-08-2010. Guerra santa "O QG dilmista recebeu panfleto, que teria sido distribuído em igreja de Anápolis (GO), classificando o PT como "partido abortista". A sigla cobrará a CNBB, assim como fez quando o bispo d. Luiz Gonzaga Bergonzini, de Guarulhos (SP), recomendou aos católicos não votarem em Dilma" – Renata Lo Prete, jornalista – Folha de S. Paulo, 24-08-2010. JK docapital humano "Eu tenho brincado que o Brasil precisa de um JK do capital humano. E acho que a Marina pode representar esse papel" – Eduardo Giannetti da Fonseca, economista – O Estado de S. Paulo, 23-08-2010. "Cerca de 53% do eleitorado em 2010 não tem o ensino fundamental completo. Enquanto não tivermos capital humano de qualidade, não podemos considerar que o País chegou ao século XXI" - Eduardo Giannetti da Fonseca, economista – O Estado de S. Paulo, 23-08-2010. Bósnia e Cisjordânia "Em mais de 20 anos como correspondente internacional, eu só vivi experiência parecida em duas ocasiões: na guerra da Bósnia e no conflito israelense-palestino na Cisjordânia. E estava a trabalho" - Deborah Berlinck, correspondente do jornal O Globo na França, comentando os momentos de terror que presenciou no bairro da Zona Sul, na manhã de ontem – O Globo, 22-08-2010. Deus que se cuide "Acredite. Sábado, numa praça de Assunção, a capital do Paraguai, cerca de 3 mil pessoas assistiram ao filme "Lula, el hijo de Brasil", de Fábio Barreto. No fim, o público gritava: "Lula!... Lula!... Lula!" – Ancelmo Gois, jornalista – O Globo, 24-08-2010. "O Lula virou mascote! O Serra abre o horário abraçado ao Lula, a Dilma é mochila do Lula e agora a Marina quer o Lula!" – José Simão, humorista – Folha de S. Paulo, 24-08-2010. Dia seguinte "E pensar que meu apartamento no ABC é menor que esta sala..." – presidente Lula, sobre o fim o seu mandato em dezembro – O Globo, 23-08-2010. Vaidade "As pessoas estão cada vez mais vaidosas. Elas ligam a televisão e veem mulheres lindas, com rostos e corpos perfeitos, e passam a querer aquilo também" – Sebastião Nelson Edy Guerra, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – O Globo, 22-08-2010. Não sei! "O que é que faz um deputado federal? Na realidade, não sei. Mas vote em mim que eu te conto" – Tiririca, candidato a deputado federal – PR-SP – O Estado de S. Paulo, 18-08-2010. "Vote Tiririca, pior que tá não fica" – slogan de Tiririca, candidato a deputado federal – PR-SP – Valor, 18-08-2010. Dá na mesma! "Eu vou deixar de ser humorista pra virar político. Dá na mesma" - José Simão, humorista – Folha de S. Paulo, 21-08-2010. Fonte: WWW.ihu.unisinos.br, 25/8/2010
CÁRITAS DIOCESANA CAXIAS DO SUL |
20 de ago. de 2010
do Blog do IHU » A economia solidária como alternativa à globalização econômica
"A economia solidária como alternativa à globalização econômica" é o tema da Escola de Fé, Política e Trabalho, que inicia a sétima etapa, neste sábado (21), a partir das 08h30min, no Centro Diocesano de Formação Pastoral, em Caxias do Sul.
O evento é uma iniciativa da Cáritas Caxias do Sul em parceria com o Instituto Humanitas Unisinos – IHU, tem como objetivo aprofundar análise da crise da sociedade do pleno emprego, apontando possíveis soluções e alternativas para uma economia inclusiva, além de fomentar práticas de economia solidária como forma específica de organização das atividades econômicas.
Segundo a Profa. Dra. Vera Regina Schmitz, assessora do encontro, os participantes do evento – que necessariamente devem ter participado das etapas anteriores - vão contar com "uma mescla de atividades, que contemplam abordagens históricas e conceituais da economia solidária, alguns números que mostram a realidade desta economia e, ainda, experiências vivas da economia solidária através de empreendimentos localizados na serra gaúcha que estarão presentes no dia".
A próxima etapa acontece dias 18 e 19 de setembro com o tema: "Projetos Políticos para o Brasil e o nivelamento programático dos partidos políticos" e contará com a assessoria de Cesar Sanson, pesquisador do CEPAT.